Dilma quer estatísticas para combater discriminação LGBT

Presidenta ouviu demandas e recebeu uma carta pública de entidades que representam homossexuais. Apesar de demonstrar preocupação com violência, não se posicionou sobre a "cura gay"

A presidenta Dilma Rousseff pediu nesta sexta-feira (28) estatísticas mais precisas sobre a violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) para traçar políticas para combater ódio e intolerância. A informação foi passada após reunião de Dilma no Palácio do Planalto com representantes do movimento LGBT.

De acordo com a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, que também participou da reunião, Dilma destacou a importância de “precisar os dados estatísticos que visibilizem a violência contra a população LGBT". "É um caminho que o nosso governo tem dado e é uma orientação da presidenta para as secretarias envolvidas trabalharem neste sentido", afirmou.

Uma das ações do governo, segundo a ministra, foi o lançamento ontem (27) do Sistema Nacional de Promoção de Direitos e de Enfrentamento à Violêcia contra LGBT. Na mesma cerimônia, veio a revelação que o número de denúncias de violência homofóbica cresceu 166% em 2012 em relação ao ano anterior, saltando de 1.159 para 3.084 registros. Os dados estão no 2º Relatório Sobre Violência Homofóbica 2012.

Presente na reunião, Toni Reis, diretor-executivo do Grupo Dignidade e secretário da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABLGBT), disse que as entidades pediram a rejeição do projeto da "cura gay" e a aprovação do texto que criminaliza a homofobia. Os representantes das entidades entregaram a Dilma uma carta de reivindicações.

Após a reunião, Toni disse ao Congresso em Foco ter saído satisfeito da conversa com Dilma. O encontro durou aproximadamente 90 minutos e reuniu, além da presidenta, os ministros dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, e da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. "Saí muito convencido com a forma que ela falou, foi muito enfática", afirmou.

Segundo Toni, a presidenta não tratou de temas específica, tratando de uma pauta geral. Mas afirmou que não vai permitir retrocessos e que é contra qualquer tipo de discriminação. Ele lembrou que há mais de dois anos o movimento LGBT tentava uma reunião com Dilma. "Ter acontecido hoje foi muito simbólico", disse, fazendo referência ao Dia do Orgulho LGBT.

O Psol anunciou que colhe assinaturas para apresentar um requerimento e levar a cura gay direto para o plenário. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), anunciou que pretende "enterrar" a proposta. Mas, segundo Toni, Dilma não falou diretamente sobre a proposta. "Não se pode curar o que não é doença. Já temos o apoio do PSDB, do PT e de vários partidos para que seja enterrado esse projeto que, pra gente, é uma excrescência de cidadania", disse.

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