‘Dilma não gosta de fazer política’, diz petista

Deputado Wadih Damous diz que a presidente não tem interlocutores com o Congresso e se isola no Planalto, sem delegar poderes. Para ele, Dilma precisa se reaproximar do PT e dos movimentos sociais para não depender do PMDB

A presidente Dilma Rousseff não gosta de fazer política, está isolada no Palácio do Planalto, não tem interlocutores com o Congresso, nem delega poder aos seus auxiliares. A avaliação não vem de nenhum oposicionista ou aliado descontente com o governo, mas de um petista, o deputado Wadih Damous (PT-RJ), atualmente um dos principais defensores do governo na Câmara. Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih assumiu o mandato na Casa há pouco mais de um mês, tempo suficiente para constatar que a presidente precisa mudar imediatamente seu perfil para tentar sair da crise política que ameaça até o seu cargo.

“Ela não gosta de fazer política. É uma pessoa mais fechada. O problema é que ela não delega. Ainda que não goste ou não saiba, ela poderia delegar. Não delega. O governo fica isolado no Planalto, não há diálogo com o parlamento, com o PT, com a base aliada. Isso acaba contribuindo também para as coisas chegarem a esse ponto”, disse o deputado em entrevista ao Congresso em Foco.

Para o deputado, Dilma peca por priorizar a aliança com o PMDB. Na avaliação dele, a saída é ampliar o leque com os demais setores da esquerda e, principalmente, os movimentos sociais. “Ficar só na dependência do PMDB é o caminho para o precipício. O PMDB não quer mergulhar conosco no precipício”, observa.

Wadih defende que Dilma dialogue mais com o PT e que o partido mantenha postura de apoio crítico à presidente. “Não é apoio acrítico. É um apoio que tem de ser negociado. Um apoio que muitas vezes critica. Apoiar não é só bater palma”, pondera.

Fazendo coro ao ex-presidente Lula, o petista avalia que o PT também precisa se renovar. “O PT está muito burocratizado. Não é mais aquele partido de rua, de massa, dinâmico, criado como a novidade da política brasileira. O PT é patrimônio da política brasileira. Não pode ser tratado como organização criminosa como tem sido tratado nos últimos anos”, critica.

Na avaliação dele, o fato de Lula ainda ser a principal referência do partido para a Presidência mostra que o PT necessita de novas lideranças políticas. “Lula não é eterno. PT não pode se resumir a ele. Ele continua sendo maior do que o PT. Não é bom que assim seja.”

Esta é a segunda e última parte da entrevista concedida por Wadih ao Congresso em Foco. Na primeira, publicada no último sábado, Wadih criticou duramente a condução da Operação Lava Jato pelo juiz federal Sérgio Moro, em quem vê “traços de paranoia”. Para o deputado, o juiz comete “arbitrariedades” como prisão para “chantagear” os acusados a fazer delação premiada.

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