Delegados e peritos da PF também podem entrar em greve

Entidades indicam rejeição de proposta feita pelo governo, mas admitem estar dispostas a manter a negociação

Depois de longa espera, o governo federal resolveu abrir a negociação com o delegados e peritos da Polícia Federal para negociar o ajuste que as categorias pretendem. Na manhã desta sexta-feira (17), representantes das associações que representam as categorias foram recebidos pelo secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, no Ministério do Planejamento, mas a proposta apresentada não agradou e deve ser rejeitada. As categorias pretendem continuar as negociações antes de definir pela deflagração de greve.

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"Agora que o canal de negociação foi aberto, vamos respeitar. Estamos dando um voto de confiança para o governo e esperamos que o diálogo avance no sentido de chegarmos a um ponto em comum, que atenda aos nossos anseios. Mas não está descartada a possibilidade de greve”, afirmou Hélio Buchmüller, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF).

As categorias pedem um reajuste de cerca de 30% referentes aos anos de 2009 a 2012. No entanto, o governo ofereceu um ajuste de 15,8% até 2015, com 5% em 2013, 2014 e 2015. “O que foi apresentado não é suficiente nem para corrigir a defasagem. A proposta ainda está muito aquém do que esperamos, por isso pedimos que o governo apresente novos planos”, disse Hélio, que informou que a última negociação com a categoria foi fechada em 2006.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Marcos Leôncio Ribeiro, a categoria deliberará sobre o assunto em 22 e 23 de agosto, e só então responderá oficialmente ao governo. “A proposta deve ser rejeitada, mas ainda vamos esperar as novas negociações. A greve não deve ser deflagrada por enquanto, pois ao invés de paralisar, vamos analisar. Temos um sentimento de não tornar as coisas mais problemáticas, porque a população já tem enfrentado vários problemas”, disse Marcos.

A categoria poderá ainda, postergar as negociações para o ano que vem. “Preferimos negociar em outor momento do que aceitar algo agora que vai nos engessar. Não nos sentimos seguros para negociar valores tão baixos em prazos tão longos”, afirmou Marcos.

Na reunião de hoje, também estavam presentes Antonio Gois, presidente da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) e José Amaury de Rosis Portugal, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal no Estado de São Paulo (SINDPF-SP).

Os delegados estavam ainda representados na reunião pelo presidente da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol), Antonio Gois, e pelo presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal no Estado de São Paulo (SINDPF-SP), José Amaury de Rosis Portugal.

Greve generalizada

O movimento grevista tem se insinuado desde janeiro, quando a insatisfação de determinadas categorias esbarrou na decisão do governo de anunciar a impossibilidade de concessão de reajustes e reformulações trabalhistas em 2012, em razão da crise internacional. A situação é ainda mais complexa diante do atual contexto político: às vésperas das eleições municipais de outubro (primeiro e segundo turnos nos dias 3 e 28, respectivamente), o governo tem 14 dias para definir e encaminhar ao Congresso a previsão orçamentária para 2013, por meio da Lei Orçamentária Anual. O prazo termina em 31 de agosto.

Mas a presidenta Dilma Rosseff, diante do cenário recessivo da economia mundial, apertou o cinto das contas públicas e determinou o máximo de rigor aos principais ministérios envolvidos com o funcionalismo, como o do Planejamento, o da Previdência e o da Fazenda.

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