Delcídio diz que foi “explorado” por Lula e pede suspeição de senadores

Em defesa entregue ao Conselho de Ética, senador alega que a família de Cerveró recebeu R$ 250 mil financiados por Bumlai por interferência de Lula; veja a íntegra do documento

A defesa de Delcídio do Amaral (sem partido-MS) entregou na noite de sexta-feira (30) as alegações finais para tentar barrar o processo por quebra de decoro parlamentar que tramita no Conselho de Ética do Senado para cassar o mandato do senador. O texto pede que o processo seja anulado por suspeição dos integrantes do colegiado.

Leia a íntegra da defesa de Delcídio

Nas alegações, a defesa diz que Delcídio foi "explorado para benefício de terceiros", citando o ex-presidente Lula. Segundo os advogados, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró recebeu R$ 250 mil do pecuarista José Carlos Bumlai, "por interferência do ex-presidente Lula". O texto diz que o Lula "pediu expressamente" para que Delcídio ajudasse Bumlai, amigo do ex-presidente.

Delcídio deveria ter comparecido às reuniões do Conselho de Ética para se defender das acusações, porém, em quatro oportunidades, não foi ao colegiado. Diante da ausência, os membros da comissão decidiram marcar a leitura do relatório do senador Telmário Mota (PDT-RR) para amanhã (terça, 3). As considerações entregues na sexta-feira serão os últimos argumentos da defesa aceitos pela comissão se Delcídio não comparecer à reunião desta terça.

O senador foi preso em 25 de novembro do ano passado depois de ser flagrado em uma conversa com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, discutindo um plano para obstruir as ações da Operação Lava Jato. A defesa de Delcídio diz que ele foi vítima de uma "chantagem explícita" para ajudar Cerveró.

Segundo o derradeiro documento de 155 páginas apresentado pelos advogados do senador, "vários contatos foram feitos" para que ele ajudasse o ex-diretor da Petrobras. De acordo com a defesa, Delcídio "sempre teve uma relação de bastante proximidade com a família (de Cerveró) e sempre estendeu a mão para a família muito antes da Lava-jato".

O senador, porém, diz que não poderia ajudar por estar devendo muito em função da campanha eleitoral de 2014. "É aí que entra em cena um personagem decisivo de toda a históra: o ex-presidente Lula", relata a defesa. "Foi ele [Lula] quem pediu expressamente a Delcídio do Amaral para 'ajudar' Bumlai porque, supostamente, ele estaria implicado nas delações de Fernando Soares e Nestor Cerveró", diz o documento.

O Instituto Lula, que representa o ex-presidente, afirma que Lula não praticou qualquer ato tentando interferir na Operação Lava Jato.

Relatório

O Conselho de Ética se reúne nesta terça-feira às 14h para ler e votar o relatório. Caso compareça, Delcídio terá 20 minutos para se defender. Depois do conselho, o processo passa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que avaliará os aspectos constitucionais. Em seguida, o processo segue para o plenário.

Com a tendência de que o relatório do conselho seja favorável à cassação de Delcídio, a defesa foi ao Supremo Tribunal Federal (STF), mais uma vez, com um mandado de segurança. Na primeira oportunidade, na semana passado o ministro Celso de Mello negou a liminar.

No novo mandado, de nº 34173, também relatado por Celso de Mello, Delcídio pede a suspensão do andamento do processo devido à suspeição dos senadores que compõem o colegiado. Também pede para que sejam declarados nulos todos os autos apresentados pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O Senado enviou nesta segunda-feira (2) sua defesa ao STF pedindo para Celso de Mello negar o mandado de Delcídio.

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