Delator cita Temer, Renan, Erenice e propina para campanha de Dilma

Preso desde setembro, dono da Engevix está prestes a firmar delação premiada na Lava Jato, informa Época, e diz que repasses foram feitos à campanha de Dilma em 2014. “Amigo de Temer” recebeu R$ 1 milhão para manter contrato, acrescenta a revista

Uma proposta de delação premiada apresentada a procuradores da Operação Lava Jato pela defesa de um dos donos da Engevix, o engenheiro José Antunes Sobrinho, afirma que ele pagou propina a operadores do esquema de corrupção na Petrobras que falavam em nome do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). De acordo com os relatos de José Antunes, os peemedebistas apadrinharam a nomeação de aliados políticos na petrolífera e em outras estatais, como a Eletronuclear, durante os governos Lula e Dilma Rousseff. Um dos beneficiários do suborno – um “amigo de Temer”, diz a revista Época – embolsou R$ 1 milhão para que fosse obtido e mantido um contrato de R$ 162 milhões da Engevix com a empresa do setor elétrico.

José Antunes diz também ter pagado à ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, principal assessora de Dilma até 2010, e ao advogado Carlos Araújo, ex-marido da presidente, para obter influência junto às altas esferas do poder. As informações constam de reportagem de capa da Época deste fim de semana. Intitulada “O homem que sabia demais”, a matéria se baseia em um conjunto de informações reunidas em 30 anexos a que a revista diz ter tido acesso, em que José Antunes fala sobre fatos, personagens e crimes diversos.

Veja um resumo da delação em vídeo:

 

Preso em Curitiba desde setembro, o executivo de 63 anos resolveu falar o que sabe e está em estágio avançado de negociações para firmar a delação premiada – e, por envolver figuras com direito a foro privilegiado, passíveis de julgamento apenas no Supremo Tribunal Federal, as informações passam a estar sob o núcleo de atuação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de cartel e outros crimes, ele compõe o grupo de empreiteiros que operavam junto a políticos do PT e do PMDB, principalmente.

No documento, José Antunes diz ainda que pagou milhões em propina ao caixa dois de campanha do Partido dos Trabalhadores, com o objetivo de obter vantagens para a Engevix junto a diversas estatais e entidades correlatas – além das já citadas, a empresa lucrou clandestinamente na Caixa Econômica Federal e seu fundo de pensão (Funcef), na Hidrelétrica de Belo Monte e no Banco do Nordeste. A rede de negociatas era facilitada, segundo o delator, por figuras como o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, ambos também investigados e presos na Operação. O valor de mercado da Engevix saltou de R$ 141 milhões, em 2004, para R$ 3,3 bilhões em 2014, informa Época.

Para ter acesso ao “dinheiro público barato”, registra a revista, as propinas serviram, entre outros propósitos, para que a Engevix conseguisse propina em grandes contratos públicos de serviços e obras nas estatais. Furnas e Infraero são outros exemplos da fonte que abasteceu o esquema.

Ele disse ainda ter sido pressionado pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Edinho Silva, então coordenador de campanha de Dilma, a financiar o pleito petista em 2014. “A empresa valia R$ 141 milhões em 2004. Dez anos depois, faturava R$ 3,3 bilhões. O modelo de negócios de Antunes era simples e eficiente, adaptado ao capitalismo de Estado promovido pelos governos petistas. Consistia em corromper quem detivesse a caneta capaz de liberar dinheiro público à empresa dele. Ou, se esse estratagema não fosse suficiente, corromper os chefes políticos e amigos influentes daqueles que detivessem as canetas”, diz trecho da reportagem.

Leia mais na reportagem da revista Época

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