Declaração foi ‘inaceitável’, diz líder sobre Cunha

Henrique Fontana criticou a postura do candidato do PMDB à presidência da Câmara, que disse ser alvo de uma "nova alopragem" e que o governo está atuando na tentativa de cooptar aliados para a candidatura de Arlindo Chinaglia

O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), classificou como "absolutamente indevidas" as declarações do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sobre a atuação do governo na disputa pela presidência da Casa. Ontem (20), Cunha, apontado como favorito na corrida pelo principal posto da Mesa Diretora, disse ser vítima de uma "nova alopragem" após mostrar uma gravação que supostamente o ligaria à Operação Lava Jato. O peemedebista também reclamou da atuação de ministros de Dilma Rousseff, que estariam oferecendo cargos no governo em troca de votos para Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Ontem, Cunha disse ter recebido a gravação de um policial federal. Segundo ele, a cúpula da Polícia Federal teria armado o diálogo para prejudicá-lo. No entanto, ponderou que pode haver uma disputa de poder na corporação. Por isso, citou nomes apenas para o ministro interino da Justiça, Marivaldo Pereira. Depois, pelo Twitter, reforçou que não acusou o governo de atuar em favor de Chinaglia e disse não ter comprado versões sobre o caso. Mesmo assim, ao convocar a imprensa para revelar a situação, deixou integrantes do governo irritados.

"Esta acusação é absolutamente indevida", disse Fontana. Para ele, é "algo inaceitável" convocar a imprensa e mostrar a gravação, assim como a tentativa de envolver o governo no caso. "Uma coisa é pedir investigação (...) mas não imediatamente politizar isso. Quem é candidato deve esta preparado para ganhar ou perder. (...) Não é nada democrático", comentou, acrescentando que "não há cooptação" de aliados com oferecimento de cargos em troca do voto em Chinaglia. "[A disputa na Câmara] não tem vínculo de formação de governo."

Indecisos

Para o líder do governo, um dos principais coordenadores da campanha de Chinaglia, o resultado da eleição pela presidência da Câmara é "imponderável". Segundo ele, existem entre 150 e 200 deputados que ainda não decidiram em quem votar em 1 de fevereiro. Quase metade dos integrantes da Casa são novatos ou que não foram eleitos em 2010. Por isso, ele considera que o lançamento precoce da campanha de Cunha pode favorecer o candidato petista.

Na visão do líder governista, a candidatura de Cunha passa por um "momento de fragilização". Por isso, ele também critica o fato de Cunha adiantar que haverá sequelas caso Chinaglia vença a disputa. "O que não pode, seja o PSDB ou o Eduardo, é impugnar os votos que o Arlindo conseguir", comentou Fontana.

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