Cunha vai tentar destituir relator de sua cassação

Presidente afastado alega que, por ter trocado o PDT pelo DEM, partido que faz parte hoje do mesmo bloco do PMDB, Marcos Rogério está proibido de relatar a sua representação. Deputado diz não ter interesse em postergar processo que se arrasta há mais de meio ano

Em depoimento ao Conselho de Ética, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou nesta quinta-feira (19) que vai recorrer novamente à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), desta vez para pedir a destituição do relator de seu processo de cassação, Marcos Rogério (DEM-RO). Cunha alega que, por ter trocado o PDT pelo DEM, partido que faz parte hoje do mesmo bloco do PMDB, Marcos Rogério está impedido de relatar a sua representação.

A estratégia foi utilizada por Cunha no ano passado, quando solicitou a destituição do antigo relator, Fausto Pinato (SP), que trocou o PRB pelo PP, legenda que fazia parte do bloco que elegeu o peemedebista à presidência da Câmara.

O argumento de Cunha foi contestado por Marcos Rogério. “Vale o bloco do início da legislatura. Se valesse aquele do momento em que os fatos se deram, o deputado Fausto Pinato não teria sido impedido”, rebateu o deputado rondoniense. O vice-líder tucano Betinho Gomes (PE) também contestou o pedido de Cunha. “Com Fausto Pinato, o que prevaleceu foi o bloco no início da legislatura. É nula essa arguição”, declarou.

Na abertura de sua exposição, o presidente licenciado da Câmara afirmou que não é titular de contas bancárias no exterior e que não mentiu à CPI da Petrobras. “Não existe nenhum elemento de prova de que eu seja titular (de conta bancária no exterior). Não detenho conta em minha titularidade nem patrimônio que estivesse sob minha propriedade”, afirmou.

Cunha reiterou que não mentiu à CPI da Petrobras, em março do ano passado, ao dizer que não possuía contas no exterior. Ele repetiu que não é o titular, apenas o “beneficiário” dos recursos depositados em conta na Suíça.

De acordo com investigadores da Lava Jato, as contas atribuídas ao deputado no país europeu receberam depósitos de US$ 4,8 milhões e de 1,3 milhões de francos suíços, equivalentes a mais de R$ 23 milhões. Cunha afirmou aos deputados, nesta manhã, que constituiu um “trust” para administrar os recursos. Segundo ele, o dono do dinheiro é o “trust”, e não ele.

O presidente afastado da Câmara disse que tem interesse na “celeridade” do julgamento de seu processo e que “jamais” fez manobras para atrasar a análise de sua representação, que se arrasta há mais de meio ano. “Nunca tive qualquer interesse em sua postergação. Quero que seja célere a conclusão desse processo que tem cunho de natureza política. O julgamento aqui será obviamente de natureza política. Obviamente sofro consequências de várias questões políticas acerca dos meus posicionamentos”, disse o peemedebista.

Antes de Cunha começar a depor, o primeiro vice-presidente do Conselho de Ética, deputado Sandro Alex (PSD-PR), indeferiu questão de ordem do deputado Carlos Marun (PMDB-MS), aliado do deputado fluminense. Marun pediu o afastamento do presidente do colegiado, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), por ter se manifestado publicamente e antecipado o seu julgamento sobre o caso. O deputado afirmou que vai recorrer à CCJ para contestar a decisão de Sandro Alex.

Siga ao vivo o depoimento de Cunha ao Conselho de Ética:

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