Cunha tenta última cartada para escapar da cassação

Presidente afastado da Câmara convoca amigos para uma reunião na segunda-feira (20), mas não antecipa se vai renunciar ao cargo para tentar escapar de punição máxima em plenário

Afastado do mandato pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde maio e, em consequência, da Presidência da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está convocando os deputados mais próximos e seus defensores mais aguerridos para uma reunião na segunda-feira (20), em Brasília. Réu da Operação Lava Jato, Cunha faz mistério sobre o tema a ser tratado no encontro e não antecipa se vai renunciar. Mas prepara uma última cartada para tentar manter o mandato e continuar com foro privilegiado e, assim, manter os seus processos no STF, evitando a Justiça comum e o juiz Sérgio Moro.

Um dos principais soldados da tropa-de-choque de Cunha, Carlos Marun (PMDB-MS) já o aconselhou a renunciar à Presidência da Casa na expectativa de reduzir a pressão dos próprios deputados pela cassação. A oferta de Cunha ao grupo mais próximo dos colegas é que seja mantido o seu mandato em troca da renúncia ao cargo. “Fui convidado para um encontro na segunda feira e estarei com Cunha para a conversa. Mas ele não me adiantou o tema”, disse Marun.

Essa fórmula já tinha sido proposta a Cunha há quase um mês – antes, portanto, da aprovação do relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), que o acusa de ter mentido à CPI da Petrobras sobre contas não declaradas no exterior. Cunha foi aconselhado por deputados amigos a se defender pessoalmente na sessão do Conselho de Ética que aprovou a cassação do seu mandato. Mas os advogados o desaconselharam sobre o gesto, para não parecer arrogância e piorar ainda mais a situação.

A renúncia ao cargo possibilitaria a realização de nova eleição para o posto, a ser convocada em cinco dias pelo presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA). O procedimento agradaria a uma fatia expressiva de deputados que querem a saída de Cunha da função, mas não se incomodariam em manter seu mandato. Mas esta solução seria uma saída viável apenas há um mês. Não se sabe se agora, após a aprovação do parecer pela cassação, se tal articulação teria efeito no plenário.

Plano B

Outra tentativa de Cunha para reduzir a tensão entre os deputados durante a votação do relatório que pede sua cassação seria retirar a consulta, feita à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a pedido do deputado Wellington Roberto (PR-PB), que pedia parecer sobre a proibição de apresentação, em plenário, de relatório alternativo ao aprovado no conselho de Ética com uma pena menor a Cunha. Mas a estratégia foi frustrada por iniciativa de Waldir Maranhão, até então um dos mais "fiéis" aliados do peemedebista, nas palavras dele mesmo.

A consulta à CCJ havia sido feita formalmente pelo próprio Waldir Maranhão, como manda o regimento, antes da decisão do Conselho que pede a cassação de Cunha, para impedir a apresentação de proposta alternativa em plenário com uma pena maior. Com a derrota confirmada depois da traição de Tia Eron (PRB-BA) e Wladimir Costa (SDD-PA) no colegiado, Cunha passou a se interessar pela possibilidade de escapar da perda de mandato com a sugestão de aplicação de uma pena menor e a manutenção do mandato.

Mas um ofício formalizando a exclusão da consulta foi assinado por Waldir Maranhão sem alarde, no início da tarde de ontem (quinta, 16). O deputado deixou Brasília rumo ao Maranhão sem dar publicidade à medida, tão logo a oficializou. O decisão de Maranhão, além de sinalizar uma abalo no grupo de apoio a Cunha, tem como pano de fundo a disputa pelo comando de uma CPI, em que prevaleceu a indicação do cacique peemedebista.

 

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