Cunha avisou aliados que seria acusado por lobista dois dias antes da delação

Peemedebista se reuniu com lideranças governistas e oposicionistas em residência oficial da Câmara para alertar que Julio Camargo mudaria seu acordo de delação premiada

Alex Ferreira / Ag. Câmara
Em almoço na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) alertou seus aliados de que as acusações levando seu nome na Operação Lava Jato se agravariam. O encontro ocorreu dois dias antes de o lobista Julio Camargo dizer ao juiz Sérgio Moro que pagou propina de 5 milhões de dólares ao peemedebista. As informações são da Folha de S.Paulo.

Cunha disse aos lideres governistas e oposicionistas que tinha informações seguras de que Camargo mudaria seu acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal para acusá-lo.

Antes de delatá-lo ao juiz federal, o lobista teria feito a mesma afirmação a Procuradoria-Geral da República. Segundo reportagem, a expectativa dos investigadores do caso é de que, diante dos novos elementos, o deputado já possa ser denunciado no próximo mês ao Supremo Tribunal Federal.

Na reunião, Cunha responsabilizou o Planalto por seu envolvimento no escândalo e disse ser vítima de uma “armação”. Ele também defendeu que seu enfraquecimento favoreceria a presidente Dilma Rousseff, que tenta recuperar a popularidade diante da crise.

De acordo com um dos deputados presentes, o presidente da Casa também disse que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pressionou Camargo para que mudasse seu depoimento. Cunha ainda se defendeu ao afirmar que não tinha envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras, classificando de mentirosas as acusações do lobista.

O deputado fluminense tenta anular a delação de Camargo no âmbito do STF. Além do lobista, o doleiro Alberto Youssef acusou Cunha de receber propinas.

À reportagem, o peemedebista disse que não obteve informações privilegiadas. “Recebi a informações por várias fontes diferentes e relatei. Recebi informes de boatos que se confirmaram depois. Não recebi informação com privilégio de quem quer que seja”, disse ele.

Confira íntegra da reportagem da Folha de S.Paulo

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