Com frente parlamentar e protestos, aumenta pressão contra Feliciano

Parlamentares ligados a direitos humanos formalizaram a criação de uma frente para discutir temas relacionados a gênero, sexualidade e minorias. Manifestantes voltaram a protestar contra o deputado do PSC. Renúncia é esperada

A pressão para o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) renunciar à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara aumentou nesta quarta-feira (20). A criação de uma frente parlamentar para polarizar a discussão relacionada a direitos humanos, a presença de manifestantes na Casa e conversas entre parlamentares reforçaram a possibilidade de Feliciano abandonar o cargo.

"A despeito do que aconteça com a CDHM, já garantimos, na Câmara, o espaço das minorias estigmatizadas e dos movimentos sociais", disse o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), após a criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos. "Não é fácil para quem atua na CDH romper a tradição da casa e criar um espaço paralelo de atuação", completou a deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), que presidiu a comissão em 2011.

Desde fevereiro, quando o PSC escolheu a CDH, Feliciano se tornou alvo de protestos nas redes sociais e na Câmara. Veio à tona a ação penal que enfrenta no Supremo Tribunal Federal (STF) por estelionato. Também surgiram vídeos com trechos de cultos na sua igreja. Em um deles, ele pede a senha do cartão de um fiel. Veio à tona também a contratação pelo seu gabinete de pastores da sua congregação.

Neste período, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), líderes partidários e integrantes do próprio PSC pediram que fosse revista a indicação de Feliciano para presidir a CDH. Ontem, por exemplo, ele foi enquadrado pela bancada do partido por causa de um vídeo criado por uma empresa de comunicação que tem entre seus clientes o próprio Feliciano. Hoje, Henrique Alves voltou a cobrar a saída dele da comissão. O peemedebista considera ruim para a imagem da Câmara ter o deputado do PSC como presidente de uma comissão.

O vídeo, intitulado “Pastor Marco Feliciano Renuncia”, contem ataques aos deputados da nova frente parlamentar e a defensores de direitos dos homossexuais. O filme, de quase nove minutos, classifica Wyllys e os deputados Erika Kokay (PT-DF) e Domingos Dutra (PT-MA) como "tendenciosos”, “agressivos", “que visam à aprovação de leis como a legalização de entorpecentes, como a maconha” e à "liberalidade sexual, entre elas o casamento de pessoas do mesmo sexo". Os três já anunciaram que vão recorrer à Justiça contra a divulgação do filme.

Aos colegas de bancada, Feliciano rejeitou ter sido o autor do vídeo. Disse que o filme foi publicado sem sua autorização e que não tinha conhecimento do conteúdo. Desde o início dos protestos contra sua eleição, o deputado do PSC tem dito ser vítima de perseguição religiosa. Pediu paciência e uma chance aos antigos integrantes da CDH e a pessoas ligadas a entidades de direitos humanos.

Sua primeira sessão como presidente da CDH, na semana passada, foi marcada por protestos e bate-bocas entre deputados. Hoje, novas manifestações e mais discussões. Feliciano abriu a sessão, que foi fechada para jornalistas e manifestantes, e saiu depois de 15 minutos acompanhado por seguranças.

Veja também:

Evangélicos divulgam nota de repúdio contra indicação na CDH
Henrique Alves recomenda equilíbrio e moderação na CDH

Em carta, líderes evangélicos cobram saída de Feliciano da CDH
Deputados vão ao STF contra eleição de Feliciano
PSC discute Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos
O deboche, a palhaçada e o jogo de interesses

Marco Feliciano vai continuar no comando da CDH
Novo presidente quer pauta consensual para CDH
Caso é um “grande mal-entendido”, diz Feliciano

Curta o Congresso em Foco no Facebook
Siga o Congresso em Foco no Twitter

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!