Com ataques a Lula e discurso pró-reformas, Alckmin assume presidência do PSDB

 

Defendendo as reformas trabalhista, Previdenciária e tributária, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assumiu oficialmente, durante a convenção nacional do PSDB neste sábado (9), a presidência da legenda pelos próximos dois anos. O novo presidente do tucanato fez forte e duro discurso contra o ex-presidente Lula (PT) e afirmou que o petista será derrotado pela legenda nas urnas.

"Os brasileiros não são tolos e estão vacinados contra o método lulopetista de confundir para dividir, iludir para reinar. Mas vejam a audácia dessa turma. Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder. Ou seja, meus amigos: ele quer voltar à cena do crime", ressaltou Alckmin.

Para o novo presidente do PSDB, Lula será condenado nas urnas. "Lula será condenado nas urnas pela maior recessão de nossa história. As urnas o condenarão pela frustração de projetos de milhões de famílias levadas ao desespero. As urnas o condenarão pelo desgoverno, pela destruição da Petrobras, por incitar o maior conflito entre os poderes da história recente", afirmou.

Também com discurso contra Lula, que tem aparecido na liderança nas pesquisas sobre a disputa pelo Palácio do Planalto no próximo ano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que, apesar dos seus 86 anos indicarem tempo suficiente de vida e história, ainda há energia e prefere derrotar o ex-presidente Lula nas urnas do que vê-lo na cadeia. "Eu já ganhei do Lula duas vezes e temos energia para combatê-lo cara a cara. Eu prefiro combatê-lo na urna do que vê-lo na cadeia", ressaltou.

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"O povo está enojado e irritado como todos nós. Sente como uma grande traição nacional. Temos que respeitar a percepção popular. As pessoas querem coisas simples: decência, transporte, segurança, trabalho", disse FHC.

Eleito novo presidente da sigla, em chapa única e por aclamação, Alckmin foi ovacionado ao ser anunciado no palco da convenção. Ele subiu acompanhado do prefeito da capital paulista, João Doria. Na votação, 470 pessoas votaram a favor de Alckmin, contra três votos contrários e uma abstenção.

Alvo das delações da JBS, motivo que o fizeram se licenciar do partido, o senador Aécio Neves (MG) não compôs mesa e foi vaiado ao chegar à convenção. Na última semana enviou carta de despedida aos colegas fazendo um balanço positivo de sua gestão.

Pacificador

Alckmin foi convencido pelo ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman e pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a assumir o comando do partido para tentar pacificar a sigla. O PSDB vive uma crise interna desde a divulgação das delações da JBS, em maio deste ano. A agremiação rachou sobre a permanência na base de apoio de Temer, que foi denunciado duas vezes pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot em decorrência das delações. Nas votações que arquivaram ambas as denúncias contra Temer, metade dos deputados do PSDB votaram pelo prosseguimento das ações.

Após o então presidente do PSDB, senador Aécio Neves, se licenciar do comando do partido e indicar o também senador Tasso Jereissati para assumir a presidência interina do tucanato, a crise no partido se agravou. Tasso engrossou o coro dos tucanos que pediam desembarque do governo Temer e desagradou a ala governista do PSDB.

No início de novembro, o governador de Goiás, Marconi Perillo, comunicou pessoalmente a Tasso sua intenção de concorrer à presidência do PSDB. Uma semana depois, Tasso também oficializou sua candidatura. Em reação à candidatura de Tasso e com as acusações de que o cearense estava usando a máquina do partido para se reeleger, Aécio destituiu Tasso do comando partidário e indicou o ex-governador de São Paulo e vice-presidente da sigla, Alberto Goldman, para garantir “isonomia” na disputa entre os tucanos.

Goldman, com apoio de FHC, trabalhou para convencer Alckmin a assumir a presidência tucana, por ser o único nome por quem Tasso e Marconi abririam mão da disputa. O governador paulista só aceitou a incumbência quase 20 dias depois, no fim de novembro, em uma reunião com a presença de Goldman, FHC, Marconi e Tasso no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.

Após aceitar assumir o partido, o governador paulista anunciou que o PSDB deixaria oficialmente o governo assim que ele assumisse o comando tucano.

Críticas e desembarque

A 14ª Convenção Nacional do PSDB começou com fortes críticas dos tucanos à permanência do partido na base aliada de Temer. “O PMDB é o partido mais desmoralizado desse país. [...] Tenho certeza que 99,9% do partido defende o desembarque do governo”, avaliou o deputado estadual do Rio de Janeiro Luiz Paulo no início da convenção.

Nitidamente dividido, os primeiros tucanos subiram ao palco para criticar o processo de votação e o fato de haver uma chapa única.

“O que eu vejo é um partido dividido, mal falado e que não segue o projeto programático. Como pode uma votação como essa, que não tenha uma lista dos candidatos afixada?”, criticou um prefeito tucano, que não quis se identificar, ao Congresso em Foco.

Já Alberto Goldman criticou a relutância dos dois últimos ministros tucanos Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e especialmente de Luislinda Valois (Direitos Humanos) em abrir mão de suas pastas no governo, afirmando que eles ainda estão lá por vontade própria e do presidente Michel Temer (PMDB). Para Goldman, Luislinda Valois já deveria ter deixado o cargo no início de novembro, após “declaração infeliz” de que estaria trabalhando no ministério em condições de trabalho escravo por não receber acúmulo de salário do cargo de ministra e de desembargadora aposentada. “Eu diria que seria conveniente que ela deixasse o ministério porque ela foi muito infeliz na declaração que ela fez”, criticou Goldman. No início de novembro, Luislinda apresentou um pedido ao governo para acumular seu salário como ministra dos Direitos Humanos com sua aposentadoria como desembargadora.

Goldman disse ainda que o PSDB já desembarcou do governo e afirmou que o governo Temer é uma continuação do governo da petista Dilma Rousseff. “O que nós estamos vivendo hoje é o governo Dilma. Michel Temer é o vice-presidente do governo Dilma e nós não elegemos Michel Temer”. Apesar do desembarque, o discurso dos tucanos e do presidente interino é pró-reforma, mesmo com um partido dividido.

Antes do “desembarque” tucano do governo, o PSDB tinha quatro pastas no governo de Temer. Bruno Araújo e Antônio Imbassahy, que comandavam os ministérios das Cidades e da Secretaria de Governo, respectivamente, já entregaram suas pastas. Imbassahy entregou sua carta de demissão ontem (sexta, 8).

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