Brasil foi traído por Dilma e toda a classe política, diz Economist

Revista britânica afirma que a presidente não é a única responsável pela derrocada do país e que a crise só será superada com novas eleições gerais e uma “limpeza completa”

A edição desta semana da revista britânica Economist destaca o aprofundamento da crise política e econômica no Brasil. Segundo a publicação, o país foi traído pela presidente Dilma Rousseff e por toda a classe política. Na avaliação da revista, só há uma saída, que dificilmente será adotada: a imediata realização de novas eleições para presidente da República e para o Congresso Nacional. A capa traz a imagem do Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, pedindo socorro. Uma alusão a outras duas capas da Economist: uma, que mostrava o Cristo decolando como um foguete, que ressaltava o crescimento da economia brasileira no governo Lula, e outra que mostrava a mesma estátua caindo, de maneira desgovernada, já no governo Dilma.

“O fracasso não foi produzido apenas por Dilma. Toda a classe política tem levado o país para baixo através de uma combinação de negligência e corrupção. Os líderes do Brasil não ganharão o respeito de volta de seus cidadãos nem superarão os problemas econômicos se não houver uma limpeza completa”, destaca.

Entre os motivos da derrocada econômica e política do país, a revista aponta a incompetência do atual governo na condução da economia, o envolvimento do PT no esquema de corrupção na Petrobras e a tentativa de Dilma de proteger o ex-presidente Lula das investigações.

Para a publicação, o “alarmante” é que “aqueles que estão trabalhando” para afastar a presidente são, “em muitos aspectos, piores do que ela”. Segundo a reportagem, a acusação das chamadas pedaladas fiscais contra a presidente parece pequena porque apenas alguns deputados se preocuparam em mencionar isso nos dez segundos que tiveram para declarar seu voto a favor da abertura do processo de impeachment.

“Os eleitores também merecem uma chance de se livrar de todo o Congresso infestado de corrupção. Apenas novos líderes e novos legisladores podem realizar as reformas fundamentais que o Brasil necessita.”

A Economist ressalta que a votação do impeachment ocorre em um “momento de desespero” para a economia nacional. “O Brasil está lutando contra a sua pior recessão desde a década de 1930. O PIB deverá diminuir em 9% a partir do segundo trimestre de 2014, quando a recessão começou, até o fim deste ano. A inflação e a taxa de desemprego estão em torno dos 10%.”

A revista ressalta que a saída de Dilma parece próxima, mas que o PMDB está irremediavelmente comprometido também. O texto lembra que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi chamado de “gangster”, “ladrão” e “canalha” na sessão do último domingo. “A mancha de corrupção está espalhada por muitos partidos brasileiros. Dos 21 deputados sob investigação no caso da Petrobras, 16 votaram pelo impeachment de Rousseff. Cerca de 60% dos congressistas enfrentam acusações de delito criminal.”

O cenário previsto pela Economist não é nada animador: “No curto prazo, impeachment não vai consertar isso”.”Se Dilma for deposta por uma questão técnica, Temer vai lutar para ser visto como um presidente legítimo pela grande minoria de brasileiros que ainda apoiam Dilma.”

Leia o texto na Economist

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