Artistas anunciam vigília em favor da Amazônia

Fábio Góis

Na próxima quarta-feira (13), às 19h, o plenário do Senado será palco de uma audiência pública conjunta em defesa da Amazônia. Estão previstos na reunião – que terá coordenação das comissões Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas; de Meio Ambiente; de Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle; e de Direitos Humanos e Legislação Participativa – pronunciamentos de parlamentares e diversos setores da sociedade civil organizada, bem como a participação de artistas e a entrega do manifesto do Movimento Amazônia para Sempre, que reúne mais de um milhão de assinaturas em prol da preservação daquela região.

De acordo com o cronograma do ato, artistas, representantes de diversos segmentos da sociedade civil, jovens e adolescentes ficarão concentrados em frente ao prédio do Congresso Nacional, a partir das 17h, em nome da preservação da Amazônia, do desenvolvimento sustentável, da proteção do meio ambiente e da salvaguarda da legislação ambiental brasileira.

A idéia é adentrar a noite como forma de sensibilizar o poder público em nome da causa, com o apoio de nomes como o da ex-ministra do Meio Ambiente, senadora Marina Silva (PT-AC). A manifestação externa ao Congresso é encabeçada pela ONG Preserve Amazônia, presidida pelo engenheiro agrônomo e ambientalista Marcos Mariani.

Na semana passada, representando o Movimento, a atriz Cristiane Torloni, acompanhada da presidente da Comissão de Mudanças Climáticas, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), levou o abaixo-assinado ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e um pedido formal da realização da “Vigília em Defesa da Amazônia”, a ser realizado depois da sessão deliberativa do dia 13. Cristiane disse ao Congresso em Foco que Sarney ficou “sensibilizado” diante da mobilização, concordando com a realização da audiência pública.

“Eu vim pedir que essa vigília pudesse acontecer em plenário, porque, normalmente, em plenário só fala parlamentar. Para que a vigília possa alcançar os propósitos sonhados, a sociedade civil tem que falar”, explicou a atriz. “Existem 45 milhões de pessoas que entraram no site da Globo.com, da Amazônia contra o desmatamento [www.globoamazonia.com]. Hoje, 95% da população brasileira é contra o desmatamento. Essas pessoas precisam ter voz.”
 
Cristiane contou que a idéia de um movimento em defesa da Amazônia surgiu com alguns colegas de trabalho, na época das gravações de uma minissérie na TV Globo. "Há dois anos, o Vitor Fasano, o Juca de Oliveira e eu gravamos uma minissérie no Amazonas e no estado do Acre e, diante da devastação que nós observamos nesses dois estados, foi feita uma carta [leia íntegra abaixo], que se chama Movimento pela Preservação da Amazônia", disse, referindo-se à significativa coleta de assinaturas, que constam do site www.amazoniaparasempre.com. "Não é uma ONG, não tem fins lucrativos, a gente não pertence a nenhum partido."
 
A respeito da falta de ações práticas dos governos federal, estadual e municipal acerca da questão da preservação da Amazônia, Cristiane não quis polemizar. "Cada um no seu papel. Cabe a nós vir aqui e reivindicar", resumiu.

Leia a carta Movimento pela Preservação da Amazônia, cujo abaixo-assinado já reúne mais de um milhão de assinaturas:

"CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA
 
Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.

Depois de tombada na sua pujança, estuprada por madeireiros sem escrúpulos, ateiam fogo às suas vestes de esmeralda abrindo passagem aos forasteiros que a humilham ao semear capim e soja nas cinzas de castanheiras centenárias. Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua. Mesmo depois do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre seringueiros e indígenas, mesmo depois da aliança dos povos da floresta “pelo direito de manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver”, mesmo depois de inúmeras sagas cheias de heroísmo, morte e paixão pela Amazônia, a devastação continua.

Como no passado, enxergamos a Floresta como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica. Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo.

Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou semi-abandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.

Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê:

"A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais."

Assim, deve-se implementar em níveis federal, estadual e municipal, A INTERRUPÇÃO IMEDIATA DO DESMATAMENTO DA FLORESTA AMAZÔNICA. JÁ!

É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e história. SOMOS UM POVO DA FLORESTA!"

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