Após trégua, Joaquim e Lewandowski voltam a discutir no STF

Joaquim Barbosa subiu o tom contra o Ricardo Lewandowski após referência a entrevista dada por delegado responsável pelo inquérito. Revisor vota no item 4 da denúncia, sobre lavagem de dinheiro

Após uma trégua de duas semanas, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski voltaram a discutir em plenário. Nesta quarta-feira (12), os integrantes da mais alta corte do país retomaram o julgamento do mensalão. Hoje, é a vez do revisor da Ação Penal 470 apresentar seu voto sobre o item 4, que trata da acusação de lavagem de dinheiro contra dez réus do chamado "núcleo financeiro-publicitário".

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O motivo foi a menção a uma entrevista dada pelo delegado federal Luiz Flávio Zampronha logo no início do julgamento do caso. Responsável pelo inquérito que resultou na acusação feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra 40 acusados por sete crimes, ele afirmou que o mensalão é maior que o julgado pelo STF. Também afirmou que Geiza Dias e Anita Leocádia não sabiam o que estava acontecendo.

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A entrevista, publicada pela Folha de S. Paulo em agosto, foi citada por Lewandowski. Ele votou para absolver Ayanna Tenório, da mesma forma que Barbosa, e Geiza Dias, ex-funcionária da agência de publicidade SMP&B. Foi o suficiente para Joaquim Barbosa subir o tom. Para o relator do mensalão, se o Brasil fosse um país "minimamente organizado", o policial "seria ao menos suspenso". Depois, partiu contra o revisor, dizendo que o Supremo "não é academia" e que os ministros estão na corte para "examinar fatos". "Vamos parar de jogos de intriga. Faça seu voto de maneira sóbria", disparou.

Lewandowski reagiu, mas evitou que o clima descambasse para o bate-boca. "Isso não é adequado, é uma ilação completamente descabida", retrucou Lewandowski. Ao justificar sua posição, reafirmou o "respeito que tenho a vossa excelência e a admiração ao seu trabalho" e se comparou a um médico que dá a segunda opinião a um doente. Após a discussões, ministros entraram para esfriar o clima. "O revisor não está censurando o relator, está apenas relembrando uma garantia constitucional", disse o decano da corte, Celso de Mello. "O contraditório é essencial", reforçou o presidente do STF, Ayres Britto.

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