Após nomeação, manifestantes pedem impeachment em frente ao Planalto

Parlamentares e membros do Movimento Aliança Democrática se concentram em frente ao Palácio do Planalto. Protesto é crítica à confirmação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil

Parlamentares da oposição organizaram uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto na tarde desta quarta-feira (16) para contestar a ida do ex-presidente Lula para o ministério da Casa Civil. Eles foram barrados por seguranças do Palácio do Planalto quando tentaram entrar no prédio. Depois da saída do grupo de oposicionistas, cerca de 2 mil manifestantes, número fornecido pela Polícia Militar do Distrito Federal, foram para o local e trancaram o trânsito. Eles pedem o impeachment de Dilma e a renúncia de Lula do ministério.

A indicação de Lula ao ministério, confirmada hoje pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República, gerou reação imediata entre os congressistas. Ontem (terça, 15), como divulgado pelo Congresso em Foco, opositores do governo já avisavam que "várias ações populares preventivas estavam em andamento" para serem entregues à Justiça caso o ex-presidente assumisse o cargo.

Durante a caminhada em direção ao Palácio do Planalto, congressistas carregaram uma faixa com os dizeres: "Quando um pobre rouba vai para a cadeia, mas quando o rico rouba, ele vira ministro", fazendo alusão à fala do próprio ex-presidente, pronunciada em 1988. Mas ao tentar entrar no Planalto para entregar o "recado" à presidente, o grupo formado por cerca de 50 parlamentares foi barrado pela segurança do local. Depois de alguns minutos de debate entre os parlamentares e a equipe de policiais do Palácio, senadores e deputados conseguiram chegar até a portaria do edifício. Entretanto, não puderam se aproximar da porta principal.

Já são, segundo a PM, mais de 5 mil pessoas protestando contra a nomeação de Lula para o ministério, em frente ao Palácio do Planalto. No vídeo abaixo, gravado há alguns minutos, os manifestantes cantam o Hino Nacional.

Publicado por Congresso Em Foco em Quarta, 16 de março de 2016

O líder do PSDB, Antônio Imbassahy (PSDB-BA), enfatizou a importância da presença de todos os deputados ponderando que "é isso que a população está pedindo nas ruas do Brasil". "Nós passamos uma mensagem para a presidente Dilma que é um sentimento da indignação da população com esse ato de nomear o ex-presidente Lula, que está sendo denunciado por crimes praticados no petrolão. Isso é uma vergonha, é um tapa na cara da população. Deixamos lá a mensagem, e agora ela vai ler esse sentimento, que é uma coisa revoltante", disse.

Hoje, além do ato, a validação do convite feito pela presidente Dilma Rousseff a Lula trouxe desconforto ao Congresso Nacional e garantiu a homologação das ações populares - uma protocolada pelo líder do PV no Senado, Álvaro Dias (PR) e a outra tomada em conjunto por cinco partidos (PSDB, DEM, PPS, PSB e Solidariedade). Oposicionistas afirmam que a nomeação de Lula visa atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, coordenada pelo juiz Sérgio Moro, o que pode significar tentativa de interferir nas ações do Poder Judiciário.

Movimentos sociais

Integrantes do Movimento Aliança Democrática também estiveram no protesto em frente ao Planalto. O grupo - que representa 49 movimentos - se manifestou nas redes sociais convocando os militantes para participar do ato em Brasília, às 17h, e para um encontro em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), marcado para 18h. O grupo afirma que pretende "parar o Brasil". Entre os gritos de ordem, "o Brasil não é do PT" e "fora Lula" foram os mais pronunciados.

O grupo bloqueou as faixas entre o Palácio do Planalto e a Praça dos Três Poderes, interrompendo o trânsito no local. Dilma deixou o prédio às 18h. De acordo com a última estimativa da Polícia Militar, cerca de 2 mil pessoas estão protestando em frente à sede do governo federal. Entre as palavras de ordem, "amanhã será melhor" e "renúncia".

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