Dissertação de mestrado de ministro da Educação tem sinais de plágio

Após ser desmentido pelo reitor da Universidade de Rosário, na Argentina, afirmando que não concluiu seu doutorado, o novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, enfrenta agora uma acusação de plágio em sua dissertação de mestrado defendida em 2008 pela FGV. (confira aqui)

Em um post no Twitter, o professor do Insper, Thomas Conti, apontou trechos do trabalho de Decotelli similares ao de um documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Banrisul. Apesar de o documento do Banrisul ter data de 2008, o relatório faz referência ao ano base de 2007.

"Como são muitos trechos idênticos, busquei se ele poderia ter trabalhado na elaboração do relatório que consta na CVM. Mas aparentemente não. Segundo CV do Decotelli, ele foi professor no Banrisul de 2004 a 2005. O registro na CVM é de 13/02/2008 e não há menção a ele", diz Conti.

As duas obras trazem passagens idênticas, conforme mostram as imagens a seguir:

Trecho do documento do Banrisul.

Trecho da defesa de mestrado de Decotelli.

Em outra momento, as similaridades continuam, como neste trecho em que há repetição da frase "para aprimorar o processo de gerenciamento de riscos, é utilizado um sistema automatizado de gestão de conhecimento e gerenciamento de risco operacional."

Trecho do documento do Banrisul

Trecho da dissertação de Decotelli.

De acordo com o site Copyleaks, que rastreia plágios, cerca de 12,6% das duas obras têm textos correspondentes. No comparativo, 11,9% são trechos idênticos, 0,6% apresentam alguma mudança e 0,1% tem conteúdo relacionado.

Além das versões similares ao relatório do Banrisul, a dissertação de mestrado de Decotelli traz ainda outros trechos que se repetem em um trabalho de 2006 de Guilherme Augusto Malagolli e Mariana Beneli Casemiro.

Trecho do trabalho de 2006

Trecho similar é encontrado na dissertação do novo ministro, dois anos depois.

Em outro trecho, Decotelli traz a seguinte passagem: "a adaptação organizacional refere-se à habilidade dos administradores em reconhecer, interpretar e implementar estratégias, de acordo com as necessidades e mudanças percebidas no seu ambiente, de forma a assegurar suas vantagens competitivas".

Este é um trecho de trabalho "Teoria institucional e dependência de recursos na adaptação organizacional: uma visão complementar", de Carlos Ricardo Rossetto; Adriana Marques Rossetto, pela Univali de 2005.

Nesta sexta-feira (26), Franco Bartolacci, reitor da Universidade de Rosário, na Argentina, afirmou pelo Twitter que o novo ministro da Educação não obteve o grau de doutor na instituição como mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro na tarde de quinta-feira (25) ao fazer o anúncio do novo titular da pasta.

O Ministério da Educação contestou a informação do reitor e afirmou que o ministro  concluiu, em fevereiro de 2009, "todos os créditos do doutorado em Administração pela Faculdade de Ciências Econômicas e Estatística da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina". (Confira o certificado aqui)

No entanto, o documento apenas comprova que Decotelli cumpriu os créditos referentes ao programa, mas não comprovou a entrega da dissertação.

O Congresso em Foco entrou em contato com o Ministério da Educação, mas ainda não obteve resposta.

 

 

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