Quinta, 27 de Abril de 2017

Maranhão reduz de 18 para 15 salários, e deputados chiam

Apesar da aprovação por unanimidade, proposta foi criticada por parlamentares que reclamaram de campanha orquestrada por “gangues” que querem indispor sociedade com a Casa

"Coisa de gangue": assim o deputado maranhense Manoel Ribeiro define os protestos contra o pagamento de 18 salários anuais na Assembleia - Jr. Lisboa/Agência AL

Mesmo sob protestos de alguns deputados, a Assembleia Legislativa do Maranhão aprovou ontem por unanimidade a resolução legislativa que reduz de 18 para 15 os salários pagos aos deputados maranhenses. A votação ocorreu três dias após a veiculação de reportagem sobre o assunto no programa Fantástico, da TV Globo. A regalia havia sido revelada pela Folha de S. Paulo em março. Desde 2002, em fevereiro e dezembro de cada ano, os deputados maranhenses recebiam, além do salário de R$ 20 mil, outros R$ 50 mil mensais a título de ajuda de custo. Esses pagamentos, segundo a Mesa Diretora, estavam sujeitos ao desconto do Imposto de Renda.

Um dos mais exaltados com a redução do benefício, o deputado Manoel Ribeiro (PTB) lamentou a decisão da Assembleia e fez um discurso de repúdio “contra as gangues que querem desmoralizar o Parlamento brasileiro e, especialmente, a Assembleia Legislativa do Maranhão”. A deputada Graça Paz (PDT) atribuiu as reportagens a uma “orquestração” feita contra a Casa Legislativa “com a clara intenção de indispor os deputados contra a sociedade”.

O presidente da Assembleia, Arnaldo Melo (PMDB), disse que acompanhará, a partir de agora, a posição do Congresso. Só cortará o 14º e o 15º salários se os deputados e os senadores aprovarem a mudança para a Câmara e o Senado. Os deputados estaduais maranhenses também têm direito a outros benefícios, como auxílio-moradia, despesas de gabinete, planos de saúde e verba para contratar assessores.

Chiadeira federal

Os deputados do Maranhão não estão sozinhos na lamentação. Dois senadores reclamaram dos “baixos salários” que recebem os políticos brasileiros durante a votação da proposta que extingue o 14º e o 15º salários no Congresso. “Eu não vivo do salário de senador, mas tenho pena daquele que é obrigado a viver com R$ 19 mil líquido com a estrutura que temos aqui. Sou favorável ao projeto, mas que a gente pense diferente quando se propuser remuneração”, criticou Cyro Miranda (PSDB-GO).

Uma semana antes de Cyro, Ivo Cassol (PP-RO) já havia protestado, ao pedir o adiamento da votação do projeto. “Os políticos são mal remunerados. Se o dinheiro está na minha conta é porque é legal. Acho que quem votar a favor dessa proposta tem que devolver o dinheiro que recebeu. Nós temos que atender ao eleitor com pagamento de passagens, remédio e até com o pagamento de festas de formatura quando somos convidados para sermos patronos. Quem paga essa conta?”.

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