Os seis deputados-celebridade custaram, apenas nos cinco primeiros meses do ano, R$ 373.704,29 com despesas diversas referentes à atividade parlamentar. O campeão de gastos foi o ex-goleiro Danrlei. Em seu primeiro mês de mandato, Danrlei gastou R$ 15.003,23. Somando esse valor aos quatro meses restantes, o ex-goleiro teve gastos repostos em R$ 87.292,20. As maiores despesas do deputado são referentes a manutenção do escritório de apoio, a aluguel de transportes e a hospedagem.
Já o campeão mundial de boxe Acelino Popó pediu reembolso de gastos que totalizaram R$ 75.788,76, boa parte para contratar serviços de consultoria, pesquisa e demais trabalhos técnicos. O parlamentar é suplente de Mário Negromonte (PP-BA), licenciado para chefiar o Ministério das Cidades.O deputado Stepan custou aos cofres da Câmara, de fevereiro a junho, R$ 67.770,41. Cerca da metade dos gastos corresponde ao descritivo “manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar”. Em seguida, os gastos mais dispendiosos do parlamentar fluminense foram referentes à divulgação do exercício de seu mandato.
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Jean Willys parece estar preocupado com que os resultados de seu trabalho cheguem à opinião pública: dos R$ 59.528,65 usados por Jean pela cota destinada ao exercício do mandato, R$ 28.529,76 (quase 50%) foram utilizados para custear ações de “divulgação da atividade parlamentar”.
Acostumado aos gramados, o deputado Romário agora tem de mostrar seu jogo de cintura com os gastos oficiais. No primeiro semestre de seu mandato, o “baixinho”, como era conhecido no futebol, pediu à Casa ressarcimento de R$ 48.478,67 a título de cota parlamentar. Desse total, as despesas mais elevadas do deputado foram para “manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar” (R$ 8.488,04), em maio, e para “divulgação de atividade parlamentar” (R$ 5 mil), no mês seguinte.
Ao todo, desde 2 de fevereiro, quando tomou posse, Tiririca já gastou R$ 34.845,60, considerados os registros de gastos feitos pela Câmara até 30 de junho. Boa parte desse montante (cerca de 50%) corresponde a aluguel de veículos por quatro meses consecutivos, entre março e junho, ao valor de R$ 4,5 mil a cada mês. Curiosamente, o descritivo de “serviços postais” de fevereiro e julho tem o mesmo valor, R$ 79,20.
Gastos aéreos
Romário foi quem mais registrou gastos com emissão de bilhetes ou passagens aéreas/fretamento de aeronaves: R$ 7.682,11. Em seguida, Popó, que custou R$ 6.294,77 com esse benefício. Por sua vez, Jean fez despesas de R$ 4.780,87 ao recorrer ao benefício, enquanto Stepan Nercessian gastou apenas R$ 407,12 com emissão de bilhetes ou fretamento de aeronaves.
Danrlei não registrou gastos com emissão de bilhetes ou passagens aéreas/fretamento de aeronaves. No entanto, o deputado gastou R$ 35.061,06 com aluguel de veículos automotores ou fretamento de embarcações. Da mesma maneira, Tiririca também não registrou gastos com o benefício. Já com aluguel de veículos ou fretamento de embarcações o deputado do PR gastou R$ 18 mil.
Em 14 de abril, o Congresso em Foco noticiou que, dois anos após a farra das passagens – série de reportagens deste site sobre o abuso na emissão de bilhetes aéreos por parte de parlamentares e autoridades –, pouquíssimas pessoas foram punidas. Nenhuma delas congressista ou ministro do Supremo Tribunal Federal, por exemplo. Diversas medidas foram anunciadas pela Câmara e pelo Senado, o que resultou em economia, restrições no uso das passagens e inclusão das verbas de viagens aéreas no chamado “cotão parlamentar”, que nada mais é do que o dinheiro reposto aos deputados quando as despesas forem para custear atividades referentes ao exercício do mandato.
Nessa conta (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar – CEAP) estão reunidos descritivos como “divulgação de atividade parlamentar”, “fornecimento de alimentação do parlamentar”, “combustíveis e lubrificantes”, “telefonia” e “manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar”. Tudo está previsto no Ato da Mesa nº 43, de maio de 2009.
Para facilitar a mensuração dos valores, os descritivos “emissão de bilhetes aéreos” e “passagens aéreas e fretamento de aeronaves” foram reunidos na somatória final. A Câmara explica que, no primeiro caso, estão incluídos “bilhetes emitidos a partir 1º/07/2009 – data de vigência da CEAP com créditos de passagem aérea adquiridos antes dessa data”.
Trata-se de uma das resoluções tomadas pela Casa depois da série de reportagens sobre a farra das passagens. O valor posto à disposição dos deputados, a título de verba indenizatória, varia de acordo de estado para estado numa faixa que vai de R$ 20 mil a R$ 40 mil mensais.
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