Casa Verde Amarela: sintomas de um governo em campanha

*Josilmar Cordenonssi Cia

O governo acaba de lançar o programa habitacional popular Casa Verde Amarela (CVA), e o que a gente se pergunta é: qual a diferença do Minha Casa Minha Vida (MCMV)? Objetivamente há uma redução das taxas de juros para os moradores das Regiões Norte e Nordeste, reduzindo 0,25% ao ano.

Para os moradores de outras regiões as taxas continuam iguais ao MCMV. Talvez, a maior vantagem do CVA seja a promessa de regularização fundiária, dando o direito de propriedade dos terrenos e imóveis às famílias. Isso pode proporcionar um maior acesso ao crédito a camadas mais pobres a um baixo custo.

>Governo lança programa habitacional que substitui o Minha Casa Minha Vida  

Entretanto, quando abrimos nossa análise para uma visão mais ampla, é possível perceber que a motivação principal desse programa é meramente eleitoral. E até nisso, Bolsonaro segue os passos de Trump. Ele lutou muito para acabar com o chamado Obamacare, que é o sistema de seguro saúde acessível a pessoas desempregadas e de baixa renda, mas a pandemia mostrou que esse sistema evitou que mais mortes acontecessem.

O Nafta (North American Free Trade Agreement), acordo de livre comércio entre EUA, Canadá e México, que foi feito no governo Clinton, foi trocado por um novo acordo entre os mesmos países por uma sigla que ninguém se lembra ou sabe: USMCA, que é a união das iniciais de cada país: USA, México, Canada, mas todo mundo chama de “o novo Nafta”.

Depois que o presidente percebeu que o auxílio emergencial de R$ 600 por mês, dado às famílias de baixa renda e trabalhadores informais, impulsionou sua popularidade, que estava combalida por conta de sua má gestão em relação à pandemia, Bolsonaro vem exigindo do ministro da economia, Paulo Guedes, um programa chamado de Renda Brasil. O objetivo é o mesmo: substituir o programa apontado como o responsável pelo predomínio do PT no Nordeste, o Bolsa Família.

Entretanto, o desenho do Renda Brasil desejado por Bolsonaro pode colocar em risco o teto dos gastos. E é aí que está o impasse entre o presidente e o ministro Paulo Guedes. Enquanto a equipe econômica, liderada por Guedes, quer fazer só um “puxadinho” do Bolsa Família para não estourar o teto de gastos, o presidente se ressente que as pessoas que estão recebendo R$ 600 por mês e que estão apoiando o seu governo, ao passar a ganhar R$ 300, ou menos, deixem de apoiá-lo.

Agora é a hora da verdade, vamos ver se o presidente está comprometido em fazer um ajuste no Estado brasileiro, diminuindo o peso sobre o setor privado ou se a bandeira do liberalismo econômico que ele defendeu ao longo da campanha, com a presença do Paulo Guedes, era uma mera camada fina de verniz.

A Casa Verde Amarela pode ser o símbolo desse governo feito de fachadas, fachada contra a corrupção, fachada liberal, mas a essência é muito ruim. O seu projeto nacional desde o começo foi um só: ser reeleito.


*Josilmar Cia é graduado em Economia, mestre e doutor em Administração de Empresas. É professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.


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