Sobre antas, Lava Jato, delegados e responsabilização

O Aurélio informa que a palavra anta é um substantivo e significa (1) monumento megalítico formado por grande pedra horizontal que fica sobre outras, menores e verticais; e (2) pilastra angular de um edifício. Também é o animal mamífero.

Na gíria, ainda segundo o Aurélio, é o (1) “jogador bisonho, que se deixa levar pelos empresários; (2) pessoa pouco inteligente; tolo, tapado”.

A “anta” tanto é o animal, como a (construção) pilastra de um edifício. Confesso minha ignorância: não sabia que uma pilastra é uma anta. Se na Operação Lava Jato tivesse surgido essa palavra para se referir a uma ‘anta construída’ por alguma das empresas envolvidas, eu ficaria totalmente perdido e teria que buscar a informação no dicionário como fiz agora.

Durante a recente campanha eleitoral (Dilma x Aécio) para a presidência da República, Lula foi chamado de anta (coisa descabida, pois um ‘anta’ jamais se tornará presidente de um país) por um delegado da Polícia Federal. Um desses mesmos delegados que dia desses deixou vazar ou construiu a informação de que o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, tinha comprometimento com a corrupção.

Bastou um policial, ou mais de um, ter dito que Cosenza foi citado na Operação Lava Jato para que a mídia passasse a massacrá-lo. Ganhou manchete negativa nos jornais O Globo, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. A Folha inclusive demitiu-o do cargo. Foi praticamente condenado por todos e pela TV Globo. A Veja, não li, pois de antemão conheço a sua posição.

No dia seguinte à condenação da mídia, vem a público um “anta” (pessoa pouco inteligente; tolo, tapado? Duvido?) da Polícia Federal e assume que o nome do Cosenza foi incluído na operação por um erro. Quem vai agora reparar o erro?

Muitos dos que leram ou ouviram as notícias condenatórias a Cosenza podem agora não ter ouvido o desmentido. Para esses, Cosenza não é um cidadão sério, não é alguém que mereça respeito. Como vê: não basta corrigir a informação no dia seguinte: há que se pagar por isso.

Quando digo pagar não é só com reparos econômicos por danos morais de que Cosenza foi vítima, mas sim condenar o policial que cometeu o “erro”. Há que se abrir sindicância e apurar a responsabilidade.

Coloco a palavra erro entre aspas porque entendo que não foi um erro. Não foi. Vários fatos semelhantes a esse são repetidos diariamente por policiais federais e pela mídia, ou seja, é proposital, desde que seja para prejudicar o adversário do momento, no caso, alguns petistas. E agora é bastante claro.

O objetivo deste “erro” era trazer os escândalos da Petrobras para a atual gestão, pois Cosenza foi colocado por Graça Foster no lugar de Paulo Roberto Costa.

Segundo a Polícia Federal, José Carlos Cosenza foi vítima de um “erro material”. No entanto, esse “erro material” serviu para a (polícia) imprensa manipuladora execrar uma pessoa que até o momento nada o desabona. Como pode policiais de grande responsabilidade cometer “erro material”, dizendo que foi citado sem ter sido? E, mais, a correção do erro (material) só veio à tona 24 horas depois porque alguém cobrou, caso contrário Cosenza já estaria condenado pela mídia e pela polícia descomprometida com a verdade.

É conveniente lembrar ao delegado Márcio Adriano Anselmo, que comanda a equipe da PF responsável pela Operação Lava Jato, que também, durante a campanha agrediu a honra de Lula, Dilma e agora Cosenza, que a honra é um bem constitucionalmente protegido e quem lança à lama o nome de alguém deve pagar por isso.

O ministro José Eduardo Cardozo afirmou logo após o segundo turno que abriria uma sindicância para apurar quem são os responsáveis pela agressão à honra de Dilma e Lula. Não seria o caso agora de outra sindicância para saber quem é o responsável pelo “erro técnico” que levou à exposição de José Carlos Cosenza?

Ou antas em ambos os sentidos continuarão a serem construídas cheias de erros, irresponsabilidades e corrupção sem ninguém ser responsabilizado?

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