O príncipe e a corrupção

Terminei o artigo “FHC, o príncipe (dos sociólogos)”, publicado dias atrás neste espaço, afirmando que a corrupção dos anos 90, no governo de Fernando Henrique Cardoso, foi uma das razões para que o crescimento do Brasil, naquela década, fosse pior que o da década de 1980, a década perdida. E não faço isso por mera posição política, mas por dados concretos.

Assim como no artigo anterior, retomo as afirmações do tucano Ricardo Semler no seu “Nunca se roubou tão pouco”, publicado pelo jornal Folha de S.Paulo. Semler, filiado ao PSDB, escreve que “A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa dos 5% há poucas décadas”.

Atenção, não era o PT que governava o Brasil.

Não só pelo artigo de Semler, mas analisando a história do Brasil é fácil concluir que o “mensalão” e o “petrolão” não são os maiores casos de corrupção do nosso país. Não tenho dúvidas: o maior escândalo de corrupção na história do Brasil foi o período das privatizações no governo FHC.

Aloysio Biondi, jornalista, analisou caso a caso as privatizações e concluiu que o Brasil teve um prejuízo de, no mínimo, R$ 2,4 bilhões. Só nas privatizações, fora o resto, como, por exemplo, a compra dos votos para aprovar a reeleição.

Em seu livro O Brasil Privatizado, Biondi diz que o governo “arrecadou R$ 85,2 bilhões com as privatizações. Mas contas ‘escondidas’ mostram que há um valor maior, de R$ 87,6 bilhões, a ser descontado daquela ‘entrada de caixa’”. Onde foi parar a diferença?

Neste processo corrupto de privatizações, duas empresas símbolos do nosso país foram privatizadas: a Vale do Rio Doce (1997) e o sistema Telebrás (1998). Ambas foram subavaliadas e ‘presenteadas’ com dinheiro em caixa. E tudo foi feito dentro de uma determinada paz, pois os meios de comunicação apoiavam as privatizações e não questionavam a corrupção.

Tampouco a Polícia Federal, Tribunal de Contas de União (TCU) e Ministério Público investigavam. A Controladoria Geral da União não existia. Ela passou a atuar só nos governos (Lula e Dilma) do PT.

Por ocasião das privatizações, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chegou a propor a mudança do nome da Petrobras para Petrobrax, por entender que era um nome mais simpático e mais fácil de ser vendido.

Os tucanos não conseguiram entregar a Petrobras para os “gringos”, mas não desistiram. Tanto não desistiram que no momento há uma sanha contra a Petrobras. Uma sanha de todos os partidos (PSDB, DEM, PPS, etc.) de direita e da mídia, capitaneada por Globo, Veja e Estadão. Querem entregar nossa maior empresa.

O discurso contra a corrupção feito por FHC, PSDB, DEM, PPS e mídia é um biombo para entregá-la aos ‘gringos’. Nunca como agora a corrupção foi tão combatida, tanto que os acusados das falcatruas estão presos e alguns já indiciados por crimes que cometeram. Os partidos de direita e a mídia tratam esses criminosos como se fossem heróis.

Esses “heróis” acusam sem provas e quando a acusação avança sobre o governo do (FHC) PSDB, a mídia não divulga. A prova disto é a própria circular interna da Rede Globo proibindo que Fernando Henrique Cardoso e o PSDB fossem citados como suspeitos de corrupção. No entanto, quanto ao PT, sem nenhuma prova é tratado como criminoso.

Não gosto de encher textos de números, mas entendo que é necessário divulgar alguns. No governo de FHC (PSDB/PFL-DEM/PMDB) houve o ‘desaparecimento’ de R$ 2,4 bilhões (cálculo de Aloysio Biondi em seu livro O Brasil privatizado). Ainda do governo de FHC, o TCU calculou em 2001 que foram desviados R$ 169,5 milhões.

O mensalão do governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (DEM) foi de R$ 739,5 milhões, conforme cálculo do Ministério Público.

E o mensalão do PSDB de Minas Gerais? Este, esquecido pela mídia e pelo honesto Joaquim Barbosa.

Não escrevo isto para proteger qualquer partido ou qualquer pessoa da corrupção. Escrevo para mostrar o quanto há de hipocrisia na mídia, entre os cidadãos e em algumas autoridades.

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