O orçamento intacto, Luiza e a nau do insensato

Bons tempos aqueles em que Luiza não estava no Canadá. Quando a canção homônima de Tom Jobim mobilizava mais do que o verso “ai, se eu te pego”, e de tanta inspiração o artista dedicava seus sete mil amores à amada. Saudosismo à parte, o Congresso em Foco se posiciona diante do turbilhão das efemérides e, em meio às “celebridades” lançadas a um céu virtual, tenta combinar notícia e amenidades. Nada contra a bonita paraibana Luiza Rabello, que parece ser educada e simpática, mas é que muita coisa importante tem acontecido no Brasil e no resto do mundo.

Mas não há como ignorar a incrível história de Luiza, um dos assuntos mais comentados da internet nos últimos dias. Como muitos já sabem, a estudante brasileira estava em intercâmbio cultural no Canadá enquanto seu pai, colunista social paraibano, participava de propaganda imobiliária com a família. “Menos Luiza, que está no Canadá”, disse o famoso acidental Geraldo Rabello, em bordão involuntário que talvez “nunca antes na história deste país” tenha sido tão pronunciada – junto com essa entre em aspas – em tão pouco tempo. E sabe-se lá por que tanta gente viu graça na ausência da menina de 17 anos, cujo porta-retrato ao lado do pai (confira o vídeo aqui) mostra que se trata de bela moça.

Que já está com o futuro bem encaminhado, diga-se. Depois de dizer que não sabe cantar, não tem cacoete de atriz e nem pretensões de celebridade, Luiza garante só querer concluir os estudos e seguir a carreira que escolher. E haja anunciantes de plantão, como mostra este vídeo abaixo estrelado pela estudante-celebridade. Antes, vale registrar uma citação de capa do jornal O Globo de sexta-feira (20). Em meio a um universo de abordagens sobre o assunto, o editor de primeira página sapecou, caprichando no despojo: “Luiza volta do Canadá e demite no Palácio do Planalto”.

Era uma referência à notícia sobre o servidor da Presidência exonerado depois de registrar no Twitter oficial (@imprensaPR) um link de notícia falsa, veiculada no site de humor da revista Piauí, brincando com a situação. “Com a volta da Luiza, que tá indo para o Canadá é o Serra”, registrou o servidor, que não teve o nome revelado. Segundo a assessoria de Comunicação da Presidência da República, ele mesmo decidiu pedir demissão por ter gerado a polêmica, que rendeu pedido de desculpas a todos “pela publicação não autorizada”.

Confira o vídeo em que, finalmente, Luiza é a protagonista:

 

Noticiário

De volta às verdadeiras notícias, nesta semana a presidenta Dilma Rousseff sancionou o Orçamento da União para 2012 sem vetos, da forma com que o texto foi aprovado no Congresso, no último dia de deliberações do Parlamento em 2011 (22 de dezembro). Apuração deste site feita no calor das discussões em plenário, quando o deputado Paulinho da Força (PDT-SP) ameaçou usar o regimento e derrubar a votação do orçamento – e quase foi “crucificado” por isso –, mostrou que a vontade do Planalto foi imposta aos congressistas com elementos de dramatização, sem qualquer concessão para aposentados e servidores do Judiciário, ou qualquer outra categoria.

Confira:
“Crucificado”, Paulinho recua e orçamento é aprovado

Publicada na edição de sexta-feira do Diário Oficial da União, a Lei Orçamentária Anual (LOA) apresenta estimativa de R$ 2,257 trilhões para este ano e define salário mínimo de R$ 622, considerando inflação de 6% e crescimento do PIB de 4,5%. Excluindo-se os gastos com o refinanciamento da dívida – no valor de R$ 655 bilhões – o total cai para aproximadamente R$ 1,6 trilhão. De acordo com o texto da LOA, as reservas de pagamento de pessoal em 2012 chegam a R$ 203,24 bilhões.

Mais da semana

Caminhamos para o fim de janeiro. Para um veículo especializado em política, e acostumado a oferecer diariamente aos leitores notícias exclusivas – bem como os furos de reportagem, marca registrada deste site –, o recesso do Parlamento (até 2 de fevereiro) e do Judiciário e a marcha lenta do Executivo apresentam-se como desafio. Diante do cenário pré-carnavalesco, a equipe de reportagem garimpa e, com todo o zelo que a notícia requer, pratica a alquimia da informação. Ao fim, depois do filtro necessário, a semana é preenchida com assuntos os mais interessantes, abordados com o devido distanciamento.

A semana começou com a manchete do parceiro SOS Concurseiro sobre o sempre atual assunto dos concursos, com a notícia de que a Casa da Moeda anuncia certame com 1.015 vagas. Na terça-feira (17), a manchete foi a prontidão declarada do líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), em nome das designações partidárias. Em entrevistas concedidas ao Congresso em Foco e ao jornalista José Maria Trindade (rádio Jovem Pan), o ex-governador do Paraná que vem sendo crescentemente cortejado por parte do tucanato admitiu que, caso os militantes avalizassem, lançaria sua candidatura à Presidência da República.

Líder do PSDB se coloca como alternativa para 2014

“É preciso consultar os militantes. Tenho a cautela de não antecipar as decisões pessoais. Não cabe priorizar uma ambição pessoal. É necessário convocação. Se eu fosse chamado [pela maioria do PSDB], atenderia. Mas ainda não fui chamado”, confessou o senador, criticando a polarização Aécio-Serra, as imposições da cúpula tucana e a antecipação dos nomes sem o devido debate, mas respeitando o “estilo” dos demais postulantes.

Na quarta-feira (18), este site mostrou as pretensões do movimento Hora de Agir, que quer tornar claro ao consumidor o peso da alta carga tributária embutida em cada produto comercializado no Brasil. Para tanto, o movimento quer a aprovação de um projeto que tramita no Congresso desde 2005. A proposta estabelece a obrigatoriedade de o valor dos impostos estar destacado na nota fiscal de cada compra. A matéria lembrou que o impostômetro da Associação Comercial de São Paulo atingiu uma marca recorde em 2011: o brasileiro contribuiu com mais de R$ 1,5 trilhão em impostos municipais, estaduais e federais.

Leia mais:
Um movimento pelos impostos às claras

Na quinta-feira (19), a manchete veiculada pelo site desde as primeiras horas da manhã mostra o decreto presidencial que, entre outras disposições, estende a exigência da “ficha limpa” para futuros sócios de emissoras de radiodifusão (TV, rádio). Segundo a reportagem, o governo federal, por meio do decreto 7670/12, publicado no Diário Oficial da União da última terça-feira (17), também obrigou os interessados a apresentar balanços mais detalhados, parecer de dois auditores independentes sobre a capacidade técnica-financeira do projeto, e a pagar, à vista, o valor da outorga da futura emissora.

Decreto prevê ficha limpa para ser dono de TV

Entre diversas outras notícias, o Congresso em Foco também registrou a confirmação de Aloizio Mercadante, que chefia a pasta de Ciência e Tecnologia, como o futuro ministro da Educação, no que foi o ponta-pé inicial da reforma ministerial de Dilma Rousseff, depois de sete ministros defenestrados do posto em 2011 – seis deles por suspeitas de corrupção. Também foi manchete, na sexta-feira (20), a coluna de Leandro Mazzini sobre as movimentações que podem levar o deputado federal gaúcho Vieira da Cunha (PDT) ao ministério do Trabalho, depois da queda de Carlos Lupi. A lista é grande, então confira aqui todas as manchetes dos últimos dias.

A “meme”, a diva e o anti-capitão

Com foi dito lá em cima, não há como ignorar certos transes coletivos. E vale retornar rapidamente ao tema para registrar que Luiza se tornou famosa graças ao fenômeno chamado “meme” (do grego “mimeme”, que significa mímica, imitação), quando internautas compartilham, distribuem e repetem na grande rede uma informação qualquer, a ponto de esta se tornar uma “febre” virtual.

Depois da maleita (febre terçã) nacional, com a licença da referência à obra do clássico Lúcio Cardoso, este repórter passou a se deleitar com comentários, análises e textos de grandes nomes do jornalismo. Cada qual com sua importância e características, um registro me chamou a atenção, tanto pela precisão quanto pela economia de palavras. “Nós [brasileiros] já fomos mais inteligentes”, disse Carlos Nascimento, ao vivo e em rede nacional, no Jornal do SBT.

Para qualquer repórter minimamente interessado nos rumos da nau da humanidade, impossível não mencionar também, no rol de fatos da semana, o quase ficcional caso do capitão de cruzeiro que, depois de tomar uns goles de vinho com uma bela loira, abandonou o navio em que viajavam milhares de deslumbrados de classe média. Durante o convescote, ele não impediu, com toda estrutura e aparato de alta tecnologia à disposição, que uma rocha semi-submersa rachasse o casco de sua embarcação. Resultado: dezenas de mortes, um navio gigantesco adernado a poluir o mar da costa italiana, e um chefe de capitania dos portos instantaneamente alçado à condição herói nacional, a resgatar a auto-estima, como lembrou Arnaldo Jabor em análise certeira, de um povo “humilhado” pelo (mau) caráter de seus governantes.

Em meio a covardias, desvarios e hipnoses coletivas, Etta James morreu sexta-feira (20), e nela pouco se falou, comparando-se a notícia de sua morte àqueles temas de apelo popularesco. A cantora californiana, sublime na interpretação de “Stormy Weather”, não merece mesmo o caldeirão de assuntos que reúne bizarrices como o surreal “estupro” do Big Brother Brasil – que, a exemplo da piada de Rafael Bastos (ex-CQC/TV Bandeirantes) sobre Vanessa Camargo, no ano passado, também se tornou uma discussão nacional. De fato, nós já fomos mais inteligentes.

Nossas homenagens à diva nascida em 1938, batizada Jamesetta Hawkins.

 

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