Já morreu!

Miguel Haddad *

Chama-se putrefação à ação contínua de decomposição dos vegetais e animais após a morte. Na natureza, o apodrecimento segue a ordem regular dos corpos orgânicos e é fundamental para o perfeito equilíbrio do planeta. Já em relação a uma nação, a decadência da autoridade do presidente da República leva a um estado geral de desordem, de desarmonia, que é capaz de arrastar o governo a um processo sem retorno de deterioração. Este é o caso daqueles que estão no poder e que têm a corrupção, a inércia e a incompetência como marca, além de serem responsáveis por sucessivas crises política, econômica e social.

O rebaixamento moral das autoridades se tornou regra nos últimos anos e, como resultado, a credibilidade nas administrações recentes caiu a níveis assustadores.

Com isso, o país passou a viver, ainda no primeiro mandato de Dilma, um clima de fim de festa. De norte a sul, de leste a oeste, entre empresários e trabalhadores, junto a ricos e pobres, o sentimento é um só: a presidente Dilma levou o país ao caos e sua permanência à frente da Nação somente irá agravar a situação. Com ela, não há como mudar o rumo dessa nau. As velas estão rotas, a direção é contrária aos ventos e o encalhe é irreversível.

E não poderia ser diferente diante de um vergonhoso estelionato eleitoral, do assalto ao patrimônio público, da conivência com o assalto aos cofres do Estado e de um festival de absurdos. Em síntese, um completo desgoverno.

A perversidade contra o país, porém, não passa batida pela população. A presidente tem hoje o maior índice de desaprovação da História nacional, número registrado já a partir dos primeiros dias do seu segundo mandato. Sua rejeição é ampla, geral e irrestrita.

A falta de confiança na chefe do Executivo se alastrou na mesma proporção dos malfeitos.

O dia a dia de escândalos, de denúncias de corrupção, de sucessivas e alarmantes notícias na economia, além do motim na política, faz prever mais acontecimentos funestos. Assim, em um horizonte com Dilma somente se desenham crises e mais crises. Não é o caso aqui de mau presságio, mas, lamentavelmente, de enxergar a realidade sem retoques, limpa de photoshop, sem a tinta enganadora do marketing oficial.

Hoje, o Brasil tem a certeza de que o governo Dilma é o maior responsável pela geração do monstro que aí está e que traz consigo o aumento da inflação e do desemprego – somos hoje o país que mais desemprega em todo o mundo –, a piora nos serviços públicos. E o pior, a total falta de esperança.

Quem, de forma extremamente dolorosa, vai pagar a conta pelo banquete, pela esbórnia e pela orgia com o nosso dinheiro tem nome e sobrenome: o povo brasileiro.

A presidente está isolada, passou a viver apartada dos brasileiros, refugiada em si mesma. Não conta mais nem com seus aliados de ocasião, que um a um vão abandonando o barco.

Inábil, a sua melhor jogada até agora foi colocar-se em uma grande sinuca. Engendrou uma catástrofe e incontáveis nós a desatar.

Finalmente, se a Biologia ensina que a decomposição de animais e plantas mortos é um processo de eterna recriação da natureza, a História Universal mostra que a degradação de um governo, pelo contrário, traz infelicidade e sofrimento para a Nação.

O governo está morto, e cresce a cada hora o coro formado para entoar o seu réquiem. Ao mesmo tempo, milhões de vozes cantam com igual intensidade uma exaltação aos novos tempos, ao Brasil!

* Deputado pelo PSDB de São Paulo e líder da Oposição na Câmara dos Deputados.

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