Dilma, a base e outros flagrantes do poder

Só pra quebrar a rotina, em vez de um artigo, seguem alguns flagrantes do que ando vendo e ouvindo por aí.

Dilma na cova dos leões

Liberações de emendas parlamentares e apoio para as eleições do próximo ano são as duas principais razões das dificuldades que Dilma enfrenta no momento com a sua base no Congresso. No primeiro caso, trata-se de autorizar gastos represados pelo governo federal em nome do combate ao déficit público. No segundo, de respaldar pré-candidaturas e ajudar a costurar alianças capazes de viabilizá-las eleitoralmente.

A pauta que restará ao governo

No governo, sabe-se que as pressões tendem a crescer à medida em que as eleições municipais se aproximam, o que encolhe as possibilidades de emplacar neste ano medidas legais de impacto.

O governo se dará por satisfeito se conseguir aprovar ainda em 2011 as seguintes propostas legislativas:

- Plano Plurianual (PPA), ainda em preparação no Executivo para envio ao Parlamento, que estabelecerá as grandes linhas de investimento para o período 2012/2015 e, segundo um ministro, “será muito importante para fixar a marca do governo Dilma”.

- Comissão da Verdade, permitindo apurar crimes praticados durante a ditadura, e Lei de Acesso à Informação, afinal assegurando o fim do sigilo eterno de documentos públicos (após as idas e vindas do governo em torno do assunto), enterrando de uma vez por todas o entulho autoritário, algo igualmente simbólico para alguém que participou da resistência armada ao regime militar.

- Redefinição dos critérios para distribuição dos royalties do petróleo, de modo a pacificar uma questão que hoje causa tensão entre os estados.

- Mudanças no Código Florestal, sem a anistia para quem desmatou (o governo conta com o Senado para derrubar a anistia aprovada pela Câmara).

Tem quem acredite que a reforma tributária possa ser votada, mas somente em 2012. Quanto à reforma política, não só o governo não suará a camisa por ela como parece cada vez mais descrente em sua aprovação na atual legislatura. “Acho que a reforma política não sai porque o Congresso não vai se autorreformar”, resume uma fonte do governo (sobre o assunto, dá uma olhadinha no que publiquei aqui meses atrás).

José Sarney apaixonado

Homem metódico, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), é extremamente fiel a certos hábitos. Acorda sempre entre seis e sete da manhã. Lê o clipping das principais notícias preparado por sua assessoria. Dedica pelo menos uma hora do dia ao ofício de escrever (em um laptop), chega no Senado às 9h, e assim por diante. Com igual disciplina e previsibilidade, o octogenário político tem soltado a mesma infalível pergunta toda vez que seus assessores trazem algum fato novo ao seu conhecimento: “E como isso saiu na internet?”. Sarney está irremediavelmente apaixonado pela internet.

Ideli, ame-a ou deixe-a

É na base governista que se ouvem os comentários mais pessimistas e pesados sobre a ministra da Articulação Política, Ideli Salvatti, e as chances que ela tem de se sair bem no cargo. As críticas mais fortes vêm do PMDB e, curiosamente, da bancada do PT do Senado, que ela integrou até o último mês de janeiro. Já o governo segue apostando firme na ex-senadora. A avaliação predominante no Planalto é que ela tem experiência política e conhecimento suficiente do Congresso (e da base governista) para dar conta do recado.

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