Bush na defesa, Kerry no ataque

Expedito Filho, de Nova York


Está tudo indefinido na mais emocionante eleição americana dos últimos tempos. John Kerry, candidato do Partido Democrata, ganhou os três debates contra o candidato Republicano George W. Bush e entrou no jogo de novo. Ele está embalado. Kerry trocou a postura passiva adotada em boa parte da campanha por um discurso eloqüente e agressivo, onde redesenha o perfil de Bush.

Kerry trouxe a campanha para o plano interno. Agora, os democratas pretendem convencer os americanos de que Bush é o primeiro presidente dos Estados Unidos em 72 anos a fazer desaparecer 1,6 milhão de postos de trabalho. Segundo Kerry,outros onze presidentes americanos, sendo seis democratas e cinco republicanos, também enfrentaram guerras, recessões e momentos difíceis, mas nenhum deles permitiu o desaparecimento de empregos que ocorreu nos quatro anos de Bush.

Kerry também recolocou em pauta a questão do déficit americano. O candidato democrata lembrou que Bush pegou o país com um superávit de 5,6 trilhões de dólares e transformou isso em um buraco quase do mesmo tamanho. Ainda no horizonte doméstico, Bush é pintado como o presidente que fez a saúde e a educação despencarem.

No plano externo, Kerry reajustou seu discurso para manter seu adversário na defesa. Segundo ele, Bush levou os Estados Unidos ao isolamento ao fazer uma guerra errada, calcada em mentiras. Bush é ainda apresentado como o sujeito que teve a oportunidade de prender Osama Bin Laden, mas acabou deixando-o escapar.

Em sua defesa, Bush tem procurado mostrar que Kerry é um liberal de Massashussetts, o que aqui significa que o sujeito beira a irresponsabilidade, na linha do liberou geral. Bush apresenta Kerry como incoerente e fraco de liderança. O problema é que esse discurso, que foi um sucesso durante e depois da convenção Republicana, levando Bush à liderança da corrida sucessoria, se desgastou no tempo e no espaco.

Até aqui, Bush continua com uma ligeira vantagem no Colégio Eleitoral, enquanto Kerry avança na preferência popular. Os próximos 18 dias serão decisivos. Bush precisa conter a perda de votos e torcer para que seu adversário não tenha fôlego para continuar nesse ritmo até o dia eleição. Os americanos vão ter um emocionante final de campanha, com Bush na defesa e Kerry no ataque.

 

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!