Bolsonaro e a vacina

Nesta terça-feira (29), os argentinos começaram a ser vacinados contra a Covid-19. Ao lado da Irlanda, que também iniciou nesta data a imunização de sua população, nossos vizinhos entram para a lista dos países que vão encerrar esse dificílimo 2020 com o coração um pouco mais leve.

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Até o momento, são 47 os países onde os votos de Feliz Ano Novo expressarão uma esperança tangível.

Mas o Brasil também ganhou espaço no noticiário internacional dessa terça-feira (29). Infelizmente, porém, com as já frequentes manchetes negativas que têm nos exposto aos olhos do mundo, desde a ascensão de Jair Bolsonaro.

O vexame da vez é a reportagem do reputado jornal francês Le Figaro sobre a empedernida militância anti-vacina e a negligência frente à pandemia do homem que deveria estar presidindo o País.

O jornal francês destaca a postura adotada desde o início da pandemia, minimizada como “gripezinha”, o ataque às medidas de distanciamento social e a apologia a medicamentos sem qualquer eficácia.

O resultado de tudo isso — e da sabotagem sanguinária a todas as medidas que pudessem minorar a fome e o desalento da população mais vulnerável aos efeitos do paradeiro econômico decorrente da crise sanitária — nos custou mais de 191 mil vidas.
Mas o horror ainda prossegue com a cruzada de Bolsonaro contra a vacinação, uma atitude, destaca Le Figaro, “singular e única nas democracias".

É possível que nos primeiros dias da pandemia Bolsonaro acreditasse sinceramente que o coronavírus provocasse apenas “uma gripezinha”. Confrontado com o equívoco, porém, preferiu apostar na morte para não dar o braço a torcer, afundando em um negacionismo que agora não apenas mata, mas ameaça nosso futuro: já chega a 27% o percentual de brasileiros que afirmam recusar a vacinação.

O empenho do chefe do Executivo em desqualificar e desacreditar a vacina contra a Covid-19, em particular, e a vacinação, em geral — uma conquista científica cujas primeiras pesquisas remontam ao Século X — é um atentado às nossas chances de retomar a normalidade.

O Brasil não pode cair nessa armadilha. Afinal, vacinação não é uma questão de escolha ou de “opinião”. Quem se vacina não está apenas protegendo a si mesmo, mas todos ao redor. É verdade que pactuação, solidariedade e responsabilidade social são conceitos que Bolsonaro não consegue alcançar e, menos ainda, compreender.

Mas vai ser coletivamente, pensando em nós e nos demais, que vamos finalmente superar esta crise. O feliz ano novo vai ser uma construção de todos nós. Que venham as vacinas e um 2021 carregado de esperança.

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