A iniciativa americana do Represent.Us

Com essa verdadeira enxurrada de denúncias de corrupção que vemos nos noticiários, fica difícil escapar desse tema. Depois de mensalão, petrolão, BNDES, metrô e outras, o mais novo escândalo envolve a Fifa e seus dirigentes.

Pois saibam que as discussões sobre o que os cidadãos podem fazer para impedir a corrupção no poder público não são exclusivas aqui do Brasil. Agora mesmo, nos Estados Unidos, uma iniciativa tem começado a conseguir adeptos na sociedade. O projeto Represent.Us (algo como "nos represente", em inglês) busca atingir em cheio o problema da corrupção, por meio de alterações fundamentais na legislação.

O que o grupo quer é a criação de uma legislação mais firme contra a corrupção, um Anti-Corruption Act. Mas de uma forma muito mais abrangente que qualquer outra iniciativa. A ideia é incentivar pessoas por todo o país a pressionar por legislação anticorrupção em todos os níveis, seja local, estadual ou federal, de maneira descentralizada e simultânea.

O manifesto de lançamento das atividades do Represent.Us é bem claro, e até parece um certo país tupiniquim que conhecemos. Vejam só. "O governo dos Estados Unidos foi corrompido pelo dinheiro. Os políticos prometem mudança, mas acabam trabalhando para os seus próprios interesses e para os de lobistas que financiam suas carreiras políticas em vez de representar o povo. Um estudo recente da Universidade de Princeton mostra que, enquanto o nosso governo representa os interesses das elites econômicas e organizações de lobby, as opiniões do americano médio não têm estatisticamente qualquer impacto na política pública. É, literalmente, tributação sem representação."

O lema não deixa por menos: "O Congresso não vai resolver a corrupção. Nós vamos".

A inciativa tem três eixos principais: a) impedir suborno político, por meio da reforma de leis de lobby e ética; b) impedir sigilo na utilização de recursos públicos, aumentando bastante os níveis de transparência; e c) dar a cada eleitor uma voz ativa sobre parlamentares e partidos, por meio da criação de um instrumento fiscal de dedução de pessoa física no imposto de renda, para incentivar eleições financiadas cada vez mais por cidadãos singulares. Bem na contramão do que alguns querem no Brasil, com eleições exclusivamente financiadas pelo poder público.

Aos poucos, o grupo já conseguiu a aprovação de leis anticorrupção em algumas cidades, e diz estar avançando bem em estados e até no plano federal.

Um bom exemplo para a cidadania organizada no Brasil, que deve ir um passo à frente de simples manifestações de rua e começar a se unir para influenciar cada vez mais o processo de tramitação e aprovação de leis anticorrupção, seja nos municípios, nos estados ou no poder federal.

Fica a dica.

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