Felipe Neto é enquadrado na Lei de Segurança Nacional por criticar Bolsonaro

O youtuber Felipe Neto foi acusado de crime contra a segurança nacional e de calúnia por chamar o presidente Jair Bolsonaro de "genocida" em meio às mais de 278 mil mortes pela pandemia de covid-19. A intimação foi entregue ao youtuber nesta segunda-feira (15) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

O produtor de conteúdo carioca, crítico do governo bolsonarista, teve denúncia aceita pelo delegado Pablo da Costa Sartori, da Polícia Civil fluminense. O delegado é o mesmo que, em novembro de 2020, abriu denúncia contra Felipe Neto por supostamente veicular vídeos com tutoriais sobre sexo em seu canal no YouTube, voltado a adolescentes.

Nas mensagens acusando o recebimento da denúncia, Felipe Neto cita que ambas as denúncias teriam sido feitas pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente. Porém, Felipe não apresenta tal prova ligando o filho "zero dois" ao indiciamento.

Felipe buscou justificar sua crítica. "Minha atribuição do termo 'genocida' ao presidente se dá pela sua nítida ausência de política de saúde pública no meio da pandemia, o que contribuiu diretamente para milhares de mortes de brasileiros", escreveu em uma mensagem. "Uma crítica política não pode ser silenciada jamais!".

Em um mês, é a terceira vez que a Lei de Segurança Nacional, aprovada durante os anos de João Figueiredo na ditadura militar, é usada em contexto político.

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), atualmente em prisão domiciliar, teve sua prisão decretada em flagrante durante o carnaval, após ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e invocar o AI-5. No início de março, um estudante de Uberlândia (MG) foi preso após um tuíte ser interpretado como um convite a um atentado contra o presidente.


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