Violência de gênero atinge 81% das parlamentares no Congresso, mostra pesquisa

Pesquisa realizada com 73 das 90 parlamentares com assento no Congresso revela que 80,8% das deputadas e senadoras sofreram algum tipo de violência política de gênero durante o exercício do mandato. Entre elas, 54,8% entendem que foram violentadas dentro do próprio Parlamento. De acordo com 28,8% das congressistas, os ataques ocorrem com frequência. Os dados são de pesquisa feita pelo jornal O Globo.

Os constrangimentos vividos pelas congressistas vão desde interrupções seguidas de suas falas a ameaças, chantagens, xingamentos e desmerecimentos. De acordo com o levantamento, 16,4% das entrevistadas relataram ter sofrido violência sexual, inclusive com acesso não permitido ao seu corpo.

Ao todo, 42,5% afirmaram que são questionadas sobre sua vida privada e 34,2%, sobre sua aparência física e forma de vestir ou disseram que já foram chamadas de loucas. Na avaliação de 35,6% das parlamentares, a violência política de gênero prejudica o mandato. Para 90,4%, também afasta a mulher da vida política.

Uma das entrevistadas, a deputada Shéridan (PSDB-RR) contou que foi assediada por um colega após expor, por meia hora, uma matéria de sua relatoria. “Ele disse que não conseguiu prestar atenção em nada do que falei porque estava olhando para a minha boca”, disse a deputada. Ela relatou que também foi chamada de “gostosa” em plenário por outro deputado. “Aquilo fez com que o trabalho que eu estava construindo em torno de uma temática relevante perdesse espaço. É agressivo, insalubre e acontece o tempo todo.”

Segundo O Globo, 12 parlamentares narraram casos de violência sexual durante o mandato. Uma delas contou que um deputado colocou a mão em sua coxa durante uma reunião e que, ao ser confrontado, ele respondeu que nem percebeu.

Também são frequentes as ameaças vindas pela internet. “Essa miserável podia ter caído nas mãos do Lázaro”, diz uma das mensagens recebidas por Jandira Feghali (PCdoB-RJ), em referência ao assassino em série que aterrorizou o entorno do Distrito Federal no início do mês.

No questionário, as parlamentares também relataram a ocorrência de violência de gênero, envolvendo racismo ou LGBTfobia. A deputada Tia Eron (Republicanos-BA) disse ao Globo que é rotina ser barrada por funcionários da Casa e ouvir que o elevador é “apenas para deputados”. Num almoço com parlamentares e representantes do Mercosul, lembra, ela se deparou com um comentário racista, fazendo referência à palavra macaco.

Na tentativa de melhorar esse cenário, o Senado aprovou no último dia 13 um projeto de lei de autoria da deputada Rosângela Gomes (Republicanos-RJ) que cria regras para coibir agressões contra mulheres na política. Segundo ela, a proposta nasceu de experiências próprias. O texto prevê punição para quem cometer “ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos” das mulheres nas eleições ou no mandato.

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