Veja a lista dos campeões dos voos internacionais

Lúcio Lambranho, Edson Sardinha e Eduardo Militão


Deputado de primeiro mandato, Dagoberto Nogueira Filho (PDT-MS), 53 anos, se destaca na utilização da cota parlamentar em viagens internacionais. Os registros das empresas aéreas mostram que ele usou a cota para pagar 40 voos ao exterior, 22 deles tendo como passageiros o próprio deputado e dois integrantes de sua família: a mulher, Maria Verônica Nogueira, e a filha, Mariana Nogueira.


Conforme os registros, Dagoberto usou um total de R$ 92.629,60 em passagens para outros países, sendo R$ 56.962,52 relativos à emissão de bilhetes e R$ 35.667,08 ao pagamento de taxas. Os destinos foram Paris, Milão, Miami, Buenos Aires e Nova York. 


Dos 17 deputados que usaram a cota para 20 ou mais voos, cinco são do Ceará e dois da Bahia. A lista dos campeões também inclui São Paulo e Rio de Janeiro (dois deputados de cada um desses estados) e ainda Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pará. Entre os 18, há apenas uma mulher.  


O período de referência das viagens é de janeiro de 2007 a outubro de 2008.

Veja a relação dos deputados que mais utilizaram passagens internacionais:


Deputado – Número de voos


Dagoberto Nogueira (PDT-MS) – 40


Léo Alcântara (PR-CE) – 35


Marcelo Teixeira (PR-CE) – 35


Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) – 29


Jilmar Tatto (PT-SP) – 28


Pedro Fernandes (PTB-MA) – 28


George Hilton (PP-MG) – 27


Vic Pires Franco (DEM-PA) – 27


Aníbal Gomes (PMDB-CE) – 24


Eduardo Lopes (PSB-RJ) – 24


Eugênio Rabelo (PP-CE) – 24


Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE) – 24


Mário Negromonte (PP-BA) – 23


Leandro Sampaio (PPS-RJ) – 22


Maurício Trindade (PR-BA) – 20


Rebecca Garcia (PP-AM) – 20


Roberto Balestra (PP-GO) – 20


Veja a lista dos passageiros e os destinos dos voos

“Temos de passar a Câmara a limpo”


Assim que concluiu o levantamento dos voos internacionais, o que ocorreu apenas no último fim de semana, o Congresso em Foco tentou ouvir os 17 deputados. Apenas um deles foi localizado, Vic Pires Franco (DEM-PA), que admitiu ter usado a cota da Câmara para pagar 27 voos internacionais.


Ele disse que o fez por imaginar estar agindo de acordo com a lei. O deputado responsabiliza a Terceira Secretaria da Câmara por orientar de forma indevida os parlamentares. Segundo Vic, o órgão, que é o responsável pela distribuição das cotas de passagens, sempre garantiu aos deputados autonomia para utilizar o benefício como bem entendessem.


Vic Pires Franco disse que cedeu parte de sua cota para a mulher, Valéria, ex-vice-governadora do Pará, os filhos, os namorados das filhas e um casal de amigos, do qual é compadre. As viagens foram para Miami, Buenos Aires e Paris. 


“A gente fica até envergonhado, porque entra numa vala comum que me revolta”, disse ele. “Nunca me locupletei de dinheiro público. Viajei, porque a informação que recebíamos até quinta-feira da Câmara era de que podia. A cota eu usava como queria. Só vender é que não podia. Eu tinha três caminhos: devolver a cota, usá-la para viajar ou vendê-la. Devolver, ninguém nunca devolveu. Vender é crime. Só me restou viajar”. 


Ex-líder da minoria, Vic avalia que as mudanças aprovadas pela Mesa Diretora semana passada, como a legalização do uso dos bilhetes por familiares e assessores e a redução em 20% no valor da cota que cabe a cada bancada estadual, são insuficientes para acabar com os abusos.  


Ele defende que a Câmara estabeleça novas regras para controlar o uso dos benefícios oferecidos pela Casa aos deputados, como a verba indenizatória e as passagens aéreas. “Temos de passar a Câmara a limpo”, defendeu.  


A assessoria de imprensa do deputado Dagoberto Nogueira informou que ele estava incomunicável numa fazenda do Pantanal sul-mato-grossense e se comprometeu a enviar posteriormente os esclarecimentos.

NR: O nome do deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) foi excluído da lista publicada originalmente. Duas passagens emitidas em nome do parlamentar apareciam duplicadas nos registros das companhias aéreas obtidos pelo site. Com isso, o número de voos pagos com a cota do deputado caiu de 22 para 18. Bacelar afirma que usou as milhagens acumuladas na TAM em seis trechos de viagens.

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