Parlamentares veem governo afundar após “delação premiada” de Moro

Com reações negativas à saída de Sergio Moro do comando do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, parlamentares da oposição consideram que as acusações feitas contra o presidente, numa espécie de “delação premiada”, aproximam o governo de seu fim. Da esquerda à direita, a saída de Moro é alvo de críticas.

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O deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ) disse que o discurso de saída de Moro implodiu o governo Bolsonaro. “[Moro] Afirmou que o presidente quer controlar a PF para deixar impunes os crimes da família e para atacar a Democracia e o Estado de Direito”, disse Freixo. Para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o pronunciamento de Moro foi “o ‘Grand Finale’ de um Governo que nunca começou”.

O líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon (RJ), afirmou que o Brasil continua sem governo. “A saída de Moro mostra que o presidente não consegue sequer manter seus aliados próximos, imagine costurar saídas pra crise. Brasil sem direção!”

Para o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), Sergio Moro deu exemplo de coragem, equilíbrio e caráter. “Renunciou ao cargo de juiz federal para servir ao país e sua saída significa decepção no sonho de milhões de brasileiros. Notícia ruim para o governo e pior para o Brasil.”

No Senado, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que as acusações precisam ser apuradas”. “Vamos averiguar todas as declarações do agora ex-ministro Sérgio Moro e tomar as medidas cabíveis”, disse o senador da oposição.

O deputado Angelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPMI das fake news, afirmou que Moro sai deixando claro que Bolsonaro quer interferir na PF. “Por quê? Será que a equipe atual descobriu algo que está incomodando o governo? E disse que Bolsonaro quer alguém de sua confiança na PF para obter diretamente informações. Qual objetivo disso? Não é papel da PF esse tipo de serviço”, afirmou o deputado.

“A decisão do Presidente Jair Bolsonaro de trocar o Diretor-geral da Policia Federal, à revelia do Ministro Sérgio Moro, não lhe deixou outra saída senão a de pedir a sua exoneração do cargo de Ministro da Justiça e da Segurança Pública”, afirmou, em nota, a Frente Parlamentar de Segurança Pública da Câmara dos Deputados.

O Podemos, sigla ligada à Lava-Jato, afirmou que a saída de Moro do governo representa o afastamento do governo Bolsonaro do sentimento popular e do combate à corrupção. “É a derrota da ética”, disse a presidente do partido, deputada Renata Abreu (SP). O líder do Podemos na Câmara também se manifestou.“O Governo perde tecnicamente um dos seus melhores e mais respeitados nomes, e o combate à criminalidade e à corrupção sofre um duro golpe”, disse o deputado Léo Moraes (PR).

O líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), disse que a demissão de Moro é uma sinalização muito ruim à sociedade. “Sua saída não só é uma perda considerável ao governo e ao país, como pode indicar uma mudança preocupante na condução dos assuntos pertinentes ao Ministério da Justiça. É lamentável que o governo, em um momento de crise como este, perca um aliado de tamanha envergadura moral”.

Líder do PDT na Câmara, Wolney Queiroz (PE) também criticou Bolsonaro pela saída do ministro. "Caos. Esse é o cenário que o governo mergulhou o país. Em meio à grave crise sanitária e econômica devido à pandemia, Bolsonaro está preocupado em salvar os seus. A interferência política na PF revelada por Moro expôs a sujeira que o presidente tenta esconder embaixo do tapete", afirmou.

Veja abaixo outras repercussões:

Acusações

Moro afirmou que Bolsonaro fazia pressão política sobre a PF e buscava interferência política na corporação. Uma das acusações feitas é de que a exoneração de Maurício Valeixo do comando da PF não foi assinada por ele, ao contrário do que consta no ato publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta madrugada. “Sinceramente eu fui surpreendido. Achei que isso foi ofensivo”, disse Moro em seu pronunciamento.

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