Nise Yamaguchi se convidou para CPI da Covid, diz Omar Aziz

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse durante a oitiva do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga nesta quinta-feira (6), que a médica partidária do chamado "tratamento precoce" Nise Yamaguchi esteve em seu gabinete na manhã de hoje e se convidou a participar da comissão.

Hoje pela manhã, logo cedo – eu cheguei aqui às 8 horas da manhã –, a Dra. Yamaguchi, que é cardiologista, estava no meu gabinete se oferecendo para vir aqui também, Senador”, disse Aziz. 

A médica, que é conhecida como "Doutora Cloroquina", chegou a ser cotada para assumir o ministério da Saúde no ano passado. De acordo com o ex-ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta, em seu depoimento na terça-feira (4) ao colegiado, a médica fazia parte do "aconselhamento paralelo" do presidente Jair Bolsonaro sobre a pandemia e o uso do remédio sem eficácia científica comprovada para o tratamento da covid-19.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou o requerimento 146/2021 para o comparecimento da médica na CPI, mas ainda não foi apreciado pelos senadores.  

A discussão sobre a recomendação do uso da cloroquina tem sido um dos principais assuntos da CPI da Covid. Senadores da base governista, como o parlamentar Luis Carlos Heinze (PP-RS ) foi criticado pelos colegas da Comissão por defender o medicamento em seus discursos desde o início das sessões. 

O senador Otto Alencar (PSD-BA) subiu o tom na oitiva desta quinta com o ministro Marcelo Queiroga. Na ocasião, ele questionou se o ministro concordava com o posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia, da qual o ministro foi presidente, que não recomenda o uso da cloroquina para os pacientes com covid-19. 

“Isso aí precisa ser avaliado pelo médico. A prescrição é feita por médicos. Como o senhor sabe – o senhor é médico –, o médico tem autonomia para escolher o que é melhor para o seu paciente, não é? [...] E eu estou no Ministério da Saúde não como presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, mas como ministro da Saúde. E os protocolos clínicos são definidos em lei. A Lei 8.080 é clara: a competência é da Conitec.”

Sobre a falta de posicionamento do ministro Queiroga, Otto rebateu: “Lamentavelmente. O senhor é médico, fez o juramento de Hipócrates, mas não consegue responder àquilo que eu pergunto”.

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