PF investiga se governo financiou sites que apoiaram atos pró-ditadura

A Polícia Federal apura indícios de que o governo federal financiou pessoas e páginas na internet ligadas à divulgação de atos pró-ditadura militar, contra o Congresso Nacional e contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente Jair Bolsonaro participou de várias dessas manifestações, feitas em apoio a ele. As informações são do jornal O Globo.

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A PF produziu um relatório parcial para o inquérito do STF, que investiga a realização dos atos antidemocráticos. A análise aponta para uma relação entre esses atos com o Palácio do Planalto e apura se a publicidade oficial foi utilizada para direcionamento de recursos públicos. Esses indícios foram apontados à PF pela CPI das Fake News do Congresso, que obteve informações de que a Secretaria de Comunicação da Presidência veiculou publicidade em sites que incentivaram essas manifestações contra a democracia.

De acordo com a delegada Denisse Dias Ribeiro, as investigações pretendem apurar se os integrantes do governo agiram por ação deliberada ou por omissão no financiamento dessas páginas. A PF quer saber e os gestores públicos usaram mecanismos disponíveis em ferramentas de publicidade, como o Google Ads, para evitar que as mensagens do governo chegassem a sites que disseminam ataques às instituições.

O relatório aponta também para a existência de "vínculos ainda não totalmente esclarecidos" entre o grupo investigado pela propagação e promoção dos atos pró-ditadura com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, chefiado pela ministra Damares Alves. A ativista Sara Giromini, uma das coordenadoras do movimento autodenominado "300 do Brasil", ocupou um cargo dentro do ministério. Ela foi exonerada em outubro do ano passado.

A esposa do blogueiro Oswaldo Eustáquio, Sandra Mara Volf Pedro Eustáquio, ocupa cargo na Secretaria Nacional de Políticas de Promoção de Igualdade Racial na mesma pasta. Renan Sena, também investigado pelo envolvimento nos atos antidemocráticos, foi terceirizado de uma empresa prestadora de serviços para o ministério.

Segundo a reportagem de Bela Megale e Aguirre Talento, a PF ressalta que "a natureza e a origem desses vínculos" entre os investigados e os agentes públicos devem ser aprofundadas. As investigações pretendem compreender se as contratações foram uma maneira de distribuir recursos para operadores dessas manifestações.

Segundo o jornal, a Secom não quis comentar o assunto e o Ministério dos Direitos Humanos afirmou que Sara Giromini e Renan Sena não trabalhavam mais no órgão quando foram indiciados.

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