Bolsonaro sobre juiz de garantias: “Se te prejudica, não vota mais em mim”

O presidente Jair Bolsonaro usou a live desta quinta-feira (26) para tentar aplacar as críticas ao juiz de garantias e negar a existência de um atrito com o ministro Sergio Moro. Ele disse que o saldo do pacote anticrime foi excelente e que Moro tem feito um trabalho excepcional. Porém, acabou perdendo a paciência ao contestar as críticas dos internautas que o chamaram de traidor por conta da decisão de deixar o juiz de garantias no pacote anticrime, apesar do apelo de Moro para que esse item fosse vetado: "Se vai te prejudicar, é simples: não vota mais em mim".

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"Se eu fizer 99 coisas a favor de vocês e uma contra, vocês querem mudar. Então, muda. Paciência. O direito é de vocês. E eu sempre agi assim. Lógico que estou preocupado com voto do eleitor, em fazer o bem para o próximo e em agradar. Mas eu não posso ser escravo de todo mundo. Muita gente defende o juiz de garantias. [...] E nenhum juiz consegue, nos grandes processos de corrupção como os da Lava Jato, fazer todo o processo sozinho. Na 13ª Vara de Curitiba, por exemplo, não era só o Sergio Moro, era um batalhão de juízes", emendou Bolsonaro.

O presidente ainda acusou muitos dos internautas, que nessa quarta-feira ajudaram a colocar a hashtag #BolsonaroTraidor nos assuntos mais comentados do Twitter, de estarem reclamando do juiz de garantias sem nem saber do que se trata. "Com todo respeito, 90% não sabe o que é um juiz de garantia e fica criticando", afirmou.

Bolsonaro justificou essa acusação reclamando que esses mesmos eleitores não estavam elogiando os pontos que ele decidiu vetar do pacote anticrime - questões que, segundo o presidente, têm um impacto bem mais grave que o juiz de garantias. Ele citou como exemplo o veto ao artigo que aumentava a pena imposta a quem comete os crimes de calúnia, difamação e injúria na internet. Para Bolsonaro, esse artigo criaria uma espécie de censura na internet e, se não fosse vetado, poderia até levar para a cadeia muitos dos internautas que estão criticando o juiz de garantia nas redes sociais. "Veja o padrão dos itens que foram vetados... Não dão valor a isso. Ficam lá no negocinho... Ficam me esculhambando", reclamou.

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"Não quero polemizar mais. Não tenho quero esticar essa situação. Mas o que me surpreende é um batalhão de internautas juristas, constitucionalistas para debater o assunto. Eu aceito críticas fundamentadas mas tem muita gente falando abobrinha. É 70% de esquerda e 30% é gente nossa, que votou em mim, mas está sendo levada pelo momento", acrescentou Bolsonaro.

Razões do juiz de garantia

Apesar de ter dito mais cedo que nem sempre é possível dizer não ao Parlamento, Bolsonaro garantiu que não tinha feito nenhum acordo com os parlamentares para vetar o juiz de garantias. "É um absurdo, um contrassenso. [...] Não tive compromisso nenhum. Não ajo dessa maneira", reclamou.

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Por outro lado, garantiu que ouviu Moro ao sancionar esse projeto, apesar dessa discordância com o ministro em relação ao juiz de garantias. "O Moro tem feito um trabalho excepcional na Justiça. E eu ouço o Moro. Já discordei do Moro no passado, quando discutimos a questão do desarmamento. E ele sabe disso. Já discordei de outros ministros também. Mas acho que a taxa de concordância com os ministros é de 95%. [...] O pacote anticrime... Tá um ruído grande. Falaram 'traidor, se aliou à corrupção'. Mas o saldo foi excelente. A proposta do Moro está sancionada", amenizou Bolsonaro.

Por fim, o presidente assegurou que a decisão de manter o juiz de garantias na lei que entra em vigor em 30 dias não foi motivada pela intenção de favorecer ninguém. Afinal, diante da discordância entre Moro e Bolsonaro, muita gente creditou a criação do juiz de garantias como uma tentativa de o presidente proteger o seu primeiro filho, o senador Flávio Bolsonaro, das investigações sobre corrupção que estão em curso no Rio de Janeiro.

"Me desculpe, mas não vou poder agradar a todos com tudo que faço, os projetos, as sanções, os vetos. Mas faço com a consciência tranquila. Não é para proteger ninguém. Fica aí a teoria da conspiração", concluiu o presidente.

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