Bolsonaro promoveu novo ato de rua com Brasil à margem dos 500 mil mortos

O presidente Jair Bolsonaro participou junto com apoiadores, neste sábado (12), de uma “motociata” no centro de São Paulo. A manifestação “Acelera para Cristo”, percorre um trajeto de aproximadamente 100 km e a expectativa é de que pelo menos 100 mil motociclistas tenham participado. Também neste sábado o Brasil atingiu a marca de 484 mil mortos pela covid-19.

Em meio aos depoimentos na CPI da Covid no Senado que desgastam o governo, Bolsonaro tenta assegurar apoio  na rua junto a dois setores que lhe são caros: o dos evangélicos e o dos motociclistas. 

Novas aglomerações sem máscara

Sem usar máscara de proteção facial, o presidente chegou a São Paulo promovendo aglomerações entre os seus simpatizantes. O evento começou às 10h e perpassou as principais avenidas da cidade. O encerramento aconteceu  no Obelisco do Parque Ibirapuera com um discurso de Bolsonaro.

 



É a terceira vez que o presidente promove este tipo de evento em meio a pandemia.

O primeiro aconteceu em Brasília e o segundo no Rio de Janeiro, com o episódio do ex-ministro da Saúde e general da ativa,  Eduardo Pazuello. O ex-ministro foi, posteriormente, foi alvo de uma apuração do Exército por desrespeito ao regimento interno do Exército que proíbe oficiais da ativa de participarem de manifestações políticas. Pazuello, no entanto, foi inocentado. 

Políticos também entendem a ida do presidente a São Paulo como uma afronta a um dos seus principais adversários políticos, o governador da cidade, João Doria.  De acordo com o jornal O Globo, o gestor afirmou à interlocutores que caso Bolsonaro causasse aglomerações e não cumprisse com a recomendação do uso de máscaras, ele seria multado pelo estado.

Antes de comparecer à manifestação, o presidente participou de uma cerimônia de entrega de boinas a novos estudantes de uma  escola militar em São Paulo.

Motociclistas de direita

O protesto à favor de Bolsonaro conta, principalmente, com  motociclistas de grupos religiosos e não é a primeira vez que o presidente faz acenos políticos a motoqueiros.

Nas eleições do ano passado, o Congresso em Foco mostrou que o número de motoboys candidatos aumentou. Naquela ocasião, os partidos que mais lançaram postulantes aos cargos municipais foram o Republicanos e o PSL, agremiações que fazem parte do reduto eleitoral do presidente.

Semelhantemente, em aceno ao grupo, em maio deste ano Bolsonaro anunciou o fim de pedágios para motociclistas nas concessões de rodovias federais. O anúncio foi feito no Palácio do Planalto, durante o lançamento do programa Gigantes do Asfalto.

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