Zelaya diz que volta a Honduras em uma semana

Lúcio Lambranho, enviado especial a Honduras


Tegucigalpa - A crise política em Honduras permanece  sem solução uma semana após o golpe de estado no último dia 28 de junho. O país continua dividido entre os apoiadores do novo governo de Roberto Micheletti e do presidente deposto Manuel Zelaya. De Manágua, capital da vizinha Nicarágua, Zelaya esquentou ontem ainda mais a disputa. Em uma entrevista coletiva disse que voltará ao país em uma semana, apesar da ordem de prisão contra ele, caso Micheletti não deixe a presidência.


Do lado dos apoiadores do golpe, a principal estratégia é mostrar pelos meios de comunicação, que em sua maioria apoiam Micheleti, supostos desmandos do governo de Zelaya. Uma das principais acusações é a retirada de cerca de R$ 2,5 milhões de dólares do Banco Central do país sem a aprovação do Congresso. O dinheiro teria sido usado, segundo o governo golpista, para mobilizar os partidários de Zelaya e bancar um plebicito que poderia aprovar a reeleição do então presidente.







"A maioria não apoia Zelaya. Queremos apenas o retorno da ordem constitucional, que foi rompida com o golpe"
Eulogio Chavéz,
presidente da Federação Nacional dos Professores

Contra o golpe, os professores decidiram ontem continuar em greve e prometem ampliar os protestos pelas ruas da capital hondurenha e nas principais cidades do país. Numa assembleia com cerca de 3 mil profissionais do ensino secundário no maior colégio de Tegucigalpa, uma equipe de TV local foi expulsa do evento. O incidente dá uma dimensão da luta entre os dois lados da disputa.


Sob os gritos de golpistas, repórter, cinegrafista e produtor quase foram agredidos pelos professores em greve. O canal TV 5 é acusado de apoiar sem restrições o governo Micheletti. "Aqui a maioria não apoia o presidente Zelaya. Queremos apenas o retorno da ordem constitucional que foi bruscamente rompida com o golpe", diz Eulogio Chavéz, presidente da Federação Nacional dos Professores Secundaristas.


Junto com os professores, estudantes secundaristas também se movimentam contra Micheletti. Os alunos reagiaram às ameaças do ministro da Educação, Santos Sosa, de suspender o pagamento de uma ajuda de custo de R$ 160,00. O dinheiro é pago mensamente aos secundaristas, desde 2002, e serve para bancar os gastos com transporte e compra de material didático. "Se ele tiver coragem de cumprir essa ameaça vai ter mais de 50 mil estudantes nas ruas protestando. Além disso, também não aceitamos o golpe e qualquer tipo de retaliação", avisa Angel Said, presidente da Federação Nacional dos Estudantes Secundárista de Honduras (Fenaesh).


O movimento dos professores também recebeu ontem apoio de grupos de estudantes universitários. É o caso da Frente Ação Universitária, que tem atuação na Universidade Pedagógia Autônoma de Tegucigalpa. "Além do retorno de Zelaya, queremos a criação no Congresso de um constituinte. Essa constituição que temos não nos serve mais e só favoreceu os golpistas", avalia Carlos Suazo, presidente da frente.

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