Quem banca a campanha dos presidenciáveis

Veja de onde sai o dinheiro para a eleição presidencial. Dilma, Aécio e Eduardo Campos concentram 94% dos R$ 31 milhões arrecadados pelos candidatos ao Planalto e seus respectivos comitês partidários

Na primeira prestação de contas destas eleições, os candidatos à presidência da República declararam à Justiça eleitoral ter arrecadado 3% da meta que projetaram um mês atrás. Juntos, os postulantes ao Planalto e seus respectivos comitês informaram ter recebido R$ 31,1 milhões para custear despesas de campanhas. O teto estimado por eles é de quase R$ 1 bilhão. Apenas os três primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto – Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) – concentram 94% do montante levantado até agora. Por outro lado, Pastor Everaldo (PSC) e Rui Pimenta (PCO) não contabilizaram nenhum centavo.

Pela primeira vez, candidatos e partidos envolvidos em eleições nacionais são obrigados a identificar os seus financiadores nas prestações parciais de contas. Nas últimas eleições, eles tinham de informar somente as quantias que entravam e saíam do caixa de campanha. A relação dos doadores só era conhecida após a eleição, na entrega da prestação final. A divulgação desses nomes durante o processo eleitoral é considerada importante por entidades que defendem a transparência no sistema de financiamento, porque permite aos eleitores a identificação de quais setores apoiam cada candidato.

Para facilitar a consulta, o Congresso em Foco reproduz (clique nos links abaixo) a relação das doações e dos financiadores encaminhada por cada um dos presidenciáveis e respectivos comitês e partidos. Os dados foram retirados do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Aécio Neves (PSDB)

Dilma Rousseff (PT)

Eduardo Campos (PSB)

Eduardo Jorge (PV)

Eymael (PSDC)

Luciana Genro (Psol)

Levy Fidelix (PRTB)

Mauro Iasi (PCB)

Zé Maria (PSTU)

Os candidatos Rui Pimenta (PCO) e Pastor Everaldo (PSC) não informaram receitas na primeira prestação de contas.

O TSE tem uma resolução que foi editada com a pretensão de coibir “doações ocultas”, isto é, doações feitas para partidos e repassadas aos candidatos. Esse tipo de doação impede que os eleitores verifiquem a origem do dinheiro recebido diretamente pelos candidatos.

A assessoria de imprensa do TSE disse que os presidenciáveis deveriam ter identificado os responsáveis pelas doações repassadas pelos comitês e pelos partidos em suas próprias prestações de contas, citando os “doadores originários”. No entanto, a corte, segundo a assessoria, vai analisar apenas a prestação de contas final, após as eleições, quando verificará eventuais irregularidades.

Dinheiro concentrado

De cada R$ 100 declarado pelos presidenciáveis, R$ 91 são provenientes de empresas, 6% têm como origem o financiamento público, por meio do chamado fundo partidário, e R$ 3 foram repassados por pessoas físicas. Somadas as arrecadações dos candidatos e dos comitês partidários, Aécio tem 35,2% dos recursos levantados pelos candidatos ao Planalto até o dia 2 de agosto. Candidata à reeleição, Dilma tem 32,5%. Eduardo Campos, 26,3%.

De acordo com a prestação inicial de contas, a JBS Friboi, a Ambev e a construtora OAS respondem por mais de 60% dos recursos transferidos para candidatos e comitês partidários. Líder mundial em processamento de carnes, a Friboi repassou R$ 5 milhões para Dilma, outros R$ 5 milhões para Aécio e R$ 1 milhão para Campos.

Na preferência

Depois da Friboi, a CRBS (do grupo Ambev), com R$ 4 milhões, e a empreiteira Andrade Gutierrez, com R$ 1 milhão, são os principais financiadores de Dilma até agora. As demais doações ficaram abaixo de R$ 1 milhão, na lista dos repasses diretos. Líder nas pesquisas, a petista e seu comitê arrecadaram juntos R$ 10,1 milhões.

Segundo colocado na corrida presidencial, conforme pesquisas de intenção de voto, Aécio lidera o ranking de arrecadação. O candidato e o comitê tucano levantaram R$ 11 milhões neste início de campanha. No entanto, na primeira prestação de contas apresentada pelo tucano à Justiça eleitoral, apenas um doador aparece de forma explícita: a construtora OAS, que lhe repassou R$ 1 milhão. Os demais doadores foram identificados apenas como "comitê financeiro nacional" e "direção nacional". Depois da Friboi, a OAS e a CRBS aparecem como seus principais financiadores.

Terceiro colocado nas pesquisas, Eduardo Campos ocupa a mesma posição no ranking da arrecadação dos presidenciáveis. O candidato do PSB e seu comitê partidário informaram ter recebido R$ 8,2 milhões. Campos não apontou, em sua prestação de contas, os nomes dos doadores. Os recursos foram atribuídos ao “comitê financeiro nacional”, que recebeu recursos da direção nacional do PSB.

Poucos recursos

Com exceção de Rui Pimenta e Pastor Everaldo, que informaram não ter recebido nada até agora, os outros candidatos sustentam suas campanhas apenas com recursos do fundo partidário e de pessoas físicas, segundo as prestações de contas. O comitê da campanha de Eduardo Jorge (PV) recebeu R$ 1,7 milhão -- recursos do fundo partidário repassados pela direção nacional do PV. Luciana Genro (Psol), R$ 96,6 mil; e Zé Maria (PSTU), R$ 38,3 mil. Já Levy Fidélix (PRTB) arrecadou R$ 31,2 mil; Mauro Iasi (PCB), R$ 16,6 mil; e Eymael (PSDC) R$ 15 mil.

A segunda prestação de contas parcial deverá ser entregue entre 28 de agosto e 2 de setembro. A Justiça eleitoral estipulou 30 dias após as eleições como prazo para envio das prestações finais.

Veja os bens e as estimativas de gastos com campanha de cada candidato

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