Temer diz que impeachment de Janot “não vale a pena”

Em entrevista, presidente interino ainda disse que, a seu ver, Janot "fez seu papel" ao pedir ao Supremo Tribunal Federal as prisões de membros da cúpula do PMDB. Denúncia contra Janot está sob análise de Renan Calheiros

Em entrevista à Rádio Jovem Pan na manhã desta quarta-feira (22), o presidente interino Michel Temer disse que "não vale a pena" pedir o impeachment do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A denúncia contra Janot está sob análise do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que ficou de dar uma resposta sobre o caso (se ele será arquivado ou não) ainda hoje. "Renan já arquivou cinco pedidos. Esse é o sexto, que eu tenho a sensação de que não irá adiante", afirmou o presidente.

Temer acrescentou que, a seu ver, Janot "fez seu papel" ao pedir ao Supremo Tribunal Federal as prisões dos senadores Renan Calheiros e Romero Jucá (PMDB-RR), do ex-presidente da República José Sarney e do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no STF, rejeitou os pedidos. Para Teori, entre os elementos apresentados no pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) não há flagrantes de crimes inafiançáveis ou permanentes cometidos pelos peemedebistas.

"É muito delicado dar qualquer palpite. Mas na minha opinião, sob o ângulo pessoal, acho que o procurador fez o papel dele –embora eu não saiba quais foram suas razões, possivelmente ele está motivado por depoimentos que tem em suas mãos. E o ministro Teori também fez o dele adequadamente. No instante que começamos a perceber que temos que obedecer e enaltecer a atividade das instituições estaremos aprimorando uma tentativa do que eu chamo de reconstitucionalizar o país", disse Temer na entrevista.

denúncia contra Janot foi protocolada na última segunda-feira (13), pelas advogadas Beatriz Kices e Cláudia Faria de Castro, ligadas a movimentos pró-impeachment da presidente Dilma. Segundo as autoras, ao pedir a prisão preventiva de membros da cúpula do PMDB, Janot concedeu tratamento diferenciado ao partido, uma vez que não tratou com a mesma rigidez nem a presidente Dilma nem seu antecessor, Lula, envolvidos em “situações análogas” na Lava Jato, de acordo com elas.

Confira a entrevista no site da rádio Jovem Pan

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