Suplicy dá cartão vermelho também a Heráclito Fortes

Fábio Góis 

O tempo voltou a fechar no Senado. Depois de dar cartão vermelho para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o petista Eduardo Suplicy (SP) encarnou o juiz de futebol e “expulsou” também o primeiro-secretário da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI). Tudo porque Heráclito, com uma pergunta contestou as críticas de Suplicy à situação de Sarney na presidência e a operação de salvamento no Conselho de Ética, que salvou o peemedebista de 11 pedidos de investigação.


“O discurso de vossa excelência hoje peca por um aspecto: não é sincero. Vossa excelência está tentando se justificar pelo grande desgaste que, involuntariamente, caiu sobre as suas costas, no final de semana, na opinião pública de São Paulo. E, um marqueteiro que é...”, disse Heráclito, interrompido rapidamente por Suplicy. O senador piauiense se referia ao fato de que foi o voto de três senadores do PT – Ideli Salvatti (SC), Delcídio Amaral (SP) e João Pedro (AM) – que salvaram Sarney no Conselho de Ética. 


Heráclito continuou, desta vez querendo saber por que Suplicy não havia assinado o documento por meio do qual o líder do Psol, José Nery (PA), contesta a postura da Mesa Diretora em ratificar a decisão do Conselho. “Contra fatos não há argumentos. Vossa excelência não assinou o recurso que o senador José Nery assinou! Por que vossa excelência não assinou o recurso, se é tão sincero esse seu sentimento de agora?”, emendou Heráclito, para a explosão de Suplicy, aos gritos.

Leia: Mesa recusa recurso do Psol contra arquivamento de ações sobre Sarney

“Porque ele foi expresso de uma maneira oral e expresso inúmeras vezes... Vossa excelência me ouviu, sabe que eu falei a verdade naquele dia, como estou falando hoje de maneira consistente! Me ouviu falar aqui desde o começo de julho: senador José Sarney, recomendo a vossa excelência que se licencie. Falei com ele ali, conforme descrevi há pouco, olho no olho..”, bradou Suplicy, com tapas na mesa da tribuna e extremamente nervoso. “Vossa excelência quer desviar o assunto!”


A discussão continuou em termos nada protocolares. As vozes de Suplicy e Heráclito se confundiam, enquanto Mão Santa (PMDB-PI), em vão, tentava por ordem na sessão, com corte de microfone e ameaça de encerramento. Mas Suplicy voltou a explodir, diante da maneira com que o colega dizia nunca tê-lo visto tão nervoso. “É claro! Quando vossa excelência não age com correção, quando quer me acusar de algo que não é verdadeiro, eu aqui bato na mesa, coloco o cartão vermelho para vossa excelência!”, gritou Suplicy, novamente empunhando o cartão.


Heráclito reagiu com sarcasmo. “Zezinho, por favor, um suco de maracujá para o senador. Urgente!”, disse, dirigindo-se ao garçom do plenário. E, vendo que Suplicy resistia na tribuna, declarou. “Vossa excelência devia guardar esse cartão vermelho para apontar para o presidente Lula, que é o responsável por essa crise toda. E vossa excelência não teve coragem de lhe apontar o cartão vermelho.”


A sessão continuou aos solavancos, entre bravatas dos dois senadores – que, ao fim da discussão, abraçaram-se em plenário – e interrupções de som. Na tentativa de dar fim aos insultos, Mão Santa lançava gracejos, e esperava algum senador pedir para fazer pronunciamento.

E, se deu dois cartões vermelhos, Suplicy recebeu um amarelo do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini: no lançamento da candidatura de José Eduardo Dutra para o comando do partido, realizado na Câmara dos Deputados, Suplicy foi à solenidade depois da discussão com Heráclito e estendeu a mão para cumprimentar Berzoini, que ignorou o gesto. Diante da recusa, Suplicy deu dois tapinhas no ombro do companheiro de partido e se afastou.

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!