STF julga segunda denúncia contra Cunha

Ministros vão avaliar denúncia da PGR sobre contas secretas mantidas na Suíça pelo deputado. Se for aceita, Cunha se tornará réu em uma segunda ação penal na corte

O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta quarta-feira (22) a segunda denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na sessão marcada para às 14h, os ministros do STF vão analisar a acusação de que o peemedebista manteve contas não declaradas da Suíça, abastecidas por recursos ilícitos desviados da Petrobras. Cunha já é réu em uma ação penal no âmbito da Operação Lava Jato na corte.

Em março do ano passado, Cunha negou à CPI da Petrobras ter contas no exterior, porém, em outubro o Ministério Público da Suíça encaminhou às autoridades brasileiras documentos que comprovam a existência de contas no nome dele no país. O episódio motivou uma representação do Psol e da Rede no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar, cujo parecer que recomenda a cassação do mandato do deputado foi aprovado na semana passada.

Em março, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou a denúncia contra Cunha no STF. Segundo os investigadores da Lava Jato, a conta atribuída a Cunha no exterior pode ter recebido recursos ilícitos desviados de um contrato da Petrobras na compra de um campo de petróleo no Benin, na África, avaliado em mais de US$ 34 milhões.

Nesta terça-feira (21), Cunha concedeu uma entrevista coletiva e disse estar “absolutamente convicto” de que não mentiu à CPI da Petrobras sobre as contas no exterior. O peemedebista ainda afirmou que recorrerá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para tentar anular o resultado da votação do Conselho de Ética que aprovou sua cassação.

Cunha é réu na Lava Jato e está afastado de seu mandato e da presidência da Câmara desde maio por determinação do STF. Além da derrota no Conselho de Ética, por 11 a 9, o deputado afastado colecionou outros dissabores este mês. Um juiz do Paraná bloqueou os bens dele e de sua esposa, Cláudia Cruz. A jornalista também virou ré na Lava Jato. Seu nome apareceu em novas delações, o Banco Central o multou em R$ 1 milhão por manter conta não declarada no exterior. O casal virou alvo ainda de uma ação de improbidade administrativa na qual o Ministério Público cobra quase R$ 100 milhões dos dois.

Mais sobre Eduardo Cunha

Mais sobre Operação Lava Jato

Mais sobre legislativo em crise

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!