Sindicalistas pedem derrubada de vetos polêmicos

Derrubada de vetos podem trazer impacto de R$ 5 bilhões para contas da União. Presidente da Força Sindical, Paulinho da Força promete "muita dor de cabeça" para o governo

Sindicalistas de sete centrais sindicais pediram ao presidente do Senado e do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), a derrubada de três vetos da presidenta Dilma Rousseff. O Congresso deve decidir nesta quarta-feira (10) quais rejeições presidenciais serão analisadas pelos parlamentares. São mais de 1,7 mil negativas que ainda precisam ser votadas. O pedido dos sindicalistas pode causar um impacto nas contas do governo de mais de R$ 5 bilhões.

O deputado e presidente da Força Sindical, Paulinho da Força (PDT-SP), informou que os pedidos tratam das rejeições ao fator previdenciário, ao projeto que concede aumento de 16,2% aos aposentados e à chamada Emenda 29, que garante mais investimentos para a saúde. O parlamentar disse esperar apoio do Congresso, já que o Executivo não acatou às reivindicações das centrais.

"A Força Sindical perdeu a paciência com o governo Dilma. Nenhuma reivindicação nossa foi atendida. O governo terá muita dor de cabeça daqui para o final do governo dela", afirmou o deputado. Dentre os três pedidos, Paulinho destacou como mais importante o do fator previdenciário. "Nas nossas contas, se nós eliminássemos o fator previdenciário hoje, ele teria um custo de R$ 3 bilhões. Mas se você fizer uma outra conta, só a desoneração da folha de pagamento, o governo está tendo este ano um prejuízo de R$ 18 bilhões. Ou seja, seis vezes o que estamos pedindo. É uma questão de prioridade, não compromete em nada dar R$ 3 bilhões para os trabalhadores do Brasil”, disse.

Renan se reuniu com os sindicalistas mas não informou se irá acatar o pedido feito. Ele disse que se reunirá hoje com líderes partidários da Câmara e do Senado para decidir quais critérios serão adotados para escolher os vetos a serem analisados. Na semana passada, o Congresso rejeitou, de uma única vez, 1478 vetos que já haviam perdido a eficácia. Restam ainda cerca de 1,7 mil rejeições a serem analisadas. Apesar de ser prerrogativa dos parlamentares dar a palavra final sobre uma determinada matéria, o Congresso deixou de votar os vetos nos últimos dez anos.

Na semana passada, Renan afirmou que o governo estava preocupado com a análise de vetos "bomba", aqueles que podem causar algum prejuízo ao equilíbrio fiscal do país, como o do fator previdenciário. Para o senador, é importante encontrar uma solução consensual entre governo e Congresso.

Greve geral

Os sindicalistas preparam uma grande mobilização nacional na próxima quinta-feira (12). Segundo Paulinho, não está descartada a hipótese de greve geral caso o governo não atenda às reivindicações dos trabalhadores. O senador petista Paulo Paim (RS) admitiu que o governo falhou ao não dialogar com os trabalhadores. "Pelo outro lado, percebi também que eles querem que o Executivo se mova. O Executivo recebe os movimetos sociais mas não negocia nenhum ponto. Com esse movimento e o Congresso apontando caminhos para atender às ruas eu espero que o Executivo sente para negociar e atenda, nem que seja em parte, as demandas dos trabalhadores.", disse.

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