Sarney evita comentar arquivamento da CPI do MST

Fábio Góis


O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recusou dar declarações sobre o arquivamento do requerimento de criação da CPI do MST, que investigaria os repasses, nacionais e internacionais, de verbas públicas para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Na última semana, a abertura do colegiado deixou de ser formalizado por apenas três assinaturas de adesão.

A tendência de derrrubada da CPI foi adiantada pelo Congresso em Foco nos primeiros instantes da quinta-feira em que se deu o arquivamento (leia). 


Sarney preferiu não responder à pergunta da reportagem sobre o arquivamento da CPI, e se o procedimento não deporia contra o Congresso, deixando repórteres e cinegrafistas sem uma posição oficial. A comissão seria mista (composta por senadores e deputados), cabendo ao Senado realizar a tramitação formal, como define o regimento interno.


Cercado por seguranças e assessores a cada saída ou entrada no Senado – e ainda recorrendo ao isolamento para evitar a imprensa –, Sarney comentou rapidamente a ação de integrantes do MST, que ontem (segunda, 5) destruíram cerca de 7 mil pés de laranja em fazenda considerada produtiva em Borebi (SP).


Sarney mencionou o pronunciamento feito em plenário no último dia 23, quando criticou a “demonização” dos movimentos sociais e leu trechos do discurso que fez durante o lançamento do Plano Nacional de Reforma Agrária, em 1985, quando era presidente da República. Da tribuna, o senador defendeu o MST.


“É um erro olhar o problema dos sem-terra pelo lado penal. É um erro que estamos cometendo procurar criminalizar os sem-terra e, ao mesmo tempo, demonizá-los. Os excessos – e eles existem – devem ser punidos, bem como [observado] o respeito à propriedade. Mas não devemos radicalizar. Temos que evitar o confronto e, como eu disse, não demonizar nem criminalizar o MST”, discursou Sarney.


Hoje, o cacique peemedebista voltou a condenar a “tendência de resolver esse problema criminalizando e demonizando o MST”. “Mas eu ressalvei que os excessos cometidos pelos movimentos sociais devem ser apurados e reprimidos”, disse, acrescentando considerar a destruição de pés de laranja um exemplo desse “excesso”. “Acredito que sim.” 


A invasão e a postura do movimento causaram a reprovação de  senadores de diversos partidos e tendências ideológicas, em discursos proferidos tanto em comissões quanto em plenário.

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