Reeleita, Dilma enfrentará desafios em quatro anos

Ao iniciar o segundo mandato, presidenta terá problemas para acabar com a miséria e manter a estabilidade econômica, promessas feitas no discurso de posse em 2011

Reeleita para mais quatro anos, a presidenta Dilma Rousseff toma posse nesta quinta-feira (1º) sob desconfiança, em um evento na capital federal que deve reunir aproximadamente 30 mil pessoas. Logo após anunciar seu novo ministério, ela terá que se debruçar sobre problemas que pareciam mais distantes da população mas que voltaram a aparecer nos de 2013 para cá.

Duas das principais promessas na posse de quatro anos atrás — acabar com a miséria e manter a estabilidade econômica — enfrentam problemas. O número de pessoas extremamente pobres caiu num primeiro momento — de 11.772.648, em 2011, para 10.081.225, no ano seguinte —, mas subiu para 10.452.383, em 2013.

Por trás dos números, que indicam um crescimento de 3,7% na miséria, o Brasil passou a ter, de um ano para o outro, um contingente adicional de 371.158 pessoas com renda domiciliar per capita inferior à linha de extrema pobreza. Os dados, os mais recentes disponíveis, foram calculados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do próprio governo, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE).

Inflação

Quatro anos após a presidente dizer que não permitiria que “essa praga” voltasse a corroer a economia e “castigar as famílias mais pobres”, a inflação reapareceu no cotidiano das preocupações dos brasileiros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que havia fechado 2010 em 5,91%, está em 6,56% nos últimos 12 meses (até novembro de 2014). Portanto, rompeu o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 6,5%.

Com o objetivo de fazer a economia voltar ao patamar que recebeu do ex-presidente Lula, Dilma indicou para a Fazenda Joaquim Levy, economista ortodoxo e mais próximo do mercado. Sua principal tarefa será diminuir a inflação e reduzir os gastos do governo. Os primeiros passos foram anunciados na segunda-feira (29): o acesso a benefícios como o abono, o seguro-desemprego e a pensão por morte serão dificultados.

O recrudescimento da inflação impediu Dilma Rousseff de cumprir outra promessa, a de reduzir os juros cobrados no Brasil, dos mais altos do mundo, a patamares de países com economia equilibrada. A presidente até tentou, criando condições para a redução da Selic, taxa básica da economia, de 11,25%, no começo de 2011, para 7,25%, em outubro de 2012.

Entretanto, a disparada dos preços motivou a elevação para 11,75%, em dezembro de 2014, da taxa Selic, usada nos empréstimos entre bancos e nas aplicações dessas instituições em títulos públicos federais.

A estabilidade econômica vem sendo desafiada por outros indicadores nessa área, como o déficit nominal nas contas do setor público, que nos últimos 12 meses, fechados em novembro, subiu para 5,8% do produto interno bruto (PIB). O rombo é de R$ 297,4 bilhões, mais do que o dobro do apurado em dezembro de 2010 (R$ 93,7 bilhões ou 2,56% do PIB), de acordo com o Banco Central.

Mesmo com problemas na economia, o Brasil do segundo mandato de Dilma Rousseff exibe uma das menores taxas de desemprego do mundo. A desocupação em novembro de 2014 foi estimada em 4,8% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população desocupada é de 1,2 milhão de pessoas contra uma população ocupada de 23,4 milhões para o conjunto das seis regiões.

Cerimônia

Às 14h30, a presidenta Dilma Rousseff deve sair do Palácio da Alvorada, residência oficial, e seguir em carro fechado até a Catedral Metropolitana de Brasília, no começo da Esplanada dos Ministérios de onde iniciará, às 14h45, o percurso no Rolls-Royce presidencial até o Congresso Nacional.

Na chegada ao Congresso, prevista para as 15h, Dilma e Temer serão recebidos pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, e seguirão para o plenário da Câmara dos Deputados. A presidenta e o vice farão o compromisso constitucional perante os parlamentares e assinarão o Termo de Posse. Em seguida, o Hino Nacional será executado e Dilma fará um discurso.

Na saída do Parlamento, Dilma receberá honras militares com salva de 21 tiros de canhão antes de seguir para o Palácio do Planalto, do outro lado da rua. A presidenta entrará na sede do Executivo pela rampa principal e seguirá para o parlatório, onde falará ao povo por volta de 16h30. O público poderá acompanhar o discurso da Praça dos Três Poderes.

Após o discurso, Dilma vai par o Salão Leste do Palácio do Planalto onde recebe com o vice os cumprimentos de chefes de Estado e de Governo que virão à Brasília para a posse. No Salão Nobre, a presidenta dará posse aos 39 ministros de sua equipe, e, em seguida, no Salão Oeste do prédio, posa para fotos oficiais.

São esperadas para a posse de Dilma delegações de 60 países e 44 chefes de Estado e de Governo, entre eles, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden; os presidentes do Uruguai, José Mujica; da Venezuela, Nicolás Maduro e do Chile, Michelle Bachelet.

Com informações das agências Brasil e Senado

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