Protesto agora é contra limitações ao poder do STF

Manifestantes concentrados no Museu da República em Brasília querem o fim da PEC 33 e comemoram o arquivamento da proposta de tirar poderes do Ministério Público

A concentração para o mais recente protesto em Brasília contra a corrupção e melhores políticas públicas reúne mais de 400 pessoas apenas no Museu da República, segundo a Polícia Militar, na tarde desta quarta-feira (26). Enquanto isso, outras 3 mil estão na espera dos outros manifestantes em frente ao prédio do Congresso. Nos dois lugares, jovens exibem cartazes em que pedem a rejeição da PEC que limita poderes do Supremo Tribunal Federal (STF). A PEC 33 submete ao Congresso determinadas decisões dos ministros do STF e já foi aprovada em comissão especial.

Ao mesmo tempo, os manifestantes festejam a rejeição da PEC 37, que retirava poderes de investigação do Ministério Público. Uma delas é Kássia Gomes, 28 anos, estudante de um cursinho preparatório para concursos. “Estamos comemorando e aproveitamos para conseguir mais. Queremos o Renan Calheiros (PMDB-AL) fora da presidência do Senado e os 25 mensaleiros condenados presos imediatamente”, explicou ela ao Congresso em Foco.

Já o empresário Pablo, que não quis dizer o sobrenome, 30 anos, andava em sua bicicleta em mais um protesto. “Todo dia to aí na rua”, contou ele. “Queremos o fim da PEC 33 e do voto secreto. É preciso fazer a reforma política, acabar com esse negócio de ficar a vida inteira no Senado, abaixar os salários deles e acabar com o auxílios e as viagens. É preciso reduzir esse monte de ministérios também”, explicou.

Kássia Gomes quer a saída de Renan mesmo depois de ele ter proposto o passe livre estudantil em todo Brasil e pedido o apoio à presidenta Dilma Rousseff. “Eles estão tentando nos agradar pra ver se o povo esquece, mas é só obrigação dele. A nome deles está sujo e vai ficar até eles saírem”, diz ela.

Além disso, outro tema presente na manifestação são os gastos do governo federal com a Copa do Mundo. No total, estima-se que a organização para o mundial custe aproximadamente R$ 28 bilhões. Os manifestantes querem a criação de uma CPI para investigar os gastos. Como forma de protestar, colocaram 594 bolas de futebol no gramado em frente ao Congresso.

Uma boa parte dos manifestantes já está no gramado central. As bolas que estavam estrategicamente posicionadas foram chutadas na direção do prédio do Congresso. No momento, aproximadamente 3 mil pessoas já se reúnem no local.

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Esquema de segurança

A Polícia Militar fechou o Eixo Monumental. Entre 14h e 15h, a reportagem do Congresso em Foco contabilizou 30 micro-ônibus da polícia, além de viaturas e vans. Ao todo, há 4 mil policiais na Esplanada, do Museu da República ao Congresso, onde também há manifestantes, alguns contra a importação de médicos e outros a favor dos direitos dos homossexuais.

A expectativa da Polícia Militar do Distrito Federal é que o prostesto reúna até 50 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. À frente do Congresso, as bandeiras da chamada Rua dos Estados foram todas retiradas. No protesto de quinta-feira passada (20), muitas delas foram queimadas por parte das pessoas que pediam menos corrupção e mais educação, saúde e transporte.

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