Policial legislativo que delatou maletas antigrampo do Senado é demitido

 

Delator das varreduras ilegais da polícia do Senado, que funcionava como contrainteligência às ações legais da Polícia Federal, o agora ex-policial legislativo Paulo Igor Bosco Silva teve sua exoneração publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (15). O ex-servidor teve a punição em processo administrativo concluído depois de fornecer documentos para os investigadores que atuaram na Operação Métis, que apreendeu maletas antigrampo usadas pelo Senado para, segundo a Polícia Federal, obstruir a Operação Lava Jato.

De acordo com a portaria que determinou a demissão do policial, a perda do cargo se deu pelo descumprimento dos deveres de servidor público e por transgredir proibições inerentes à função. Paulo Igor Bosco Silva foi um dos três policiais legislativos que entregaram documentos do Senado à PF que subsidiaram a Métis. No processo administrativo, no entanto, respondia por supostas faltas e ausências ao trabalho.

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A Comissão de Processo Administrativo fez parecer pedindo a “aplicação da pena de demissão” de Bosco na investigação que afirmava que, entre outras supostas irregularidades, o servidor fez “divulgação de dados protegidos por sigilo”, agia com “impontualidade” e teve “atividade remunerada durante o gozo de licença médica”. O documento foi produzido em novembro e endereçado ao Primeiro Secretário do Senado.

O processo, aberto logo após sua delação, se deu por, supostamente, dar aulas em cursinhos preparatórios para concurso enquanto deveria estar em expediente no Senado. Na decisão sobre sua exoneração, ele teria deixado de exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo.

Paulo Igor também é alvo de um inquérito do próprio Senado por “subtração de documentos” usados pela Polícia Federal, ato considerado uma “retaliação” pelo Ministério Público em ofício à 10ª Vara Federal.

Operação Métis

Em setembro de 2016, após os relatos de Paulo Igor, a PF prendeu temporariamente o diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo Araújo, e três subordinados dele. A acusação é de que o grupo praticou crimes de corrupção e obstrução à Justiça ao vasculhar imóveis de senadores – dentro e fora de Brasília – que foram alvo de mandados de busca e apreensão da Lava Jato, a fim de localizar escutas ambientais ordenadas pelo Judiciário.

Entre os beneficiários dos serviços de contraespionagem estavam alvos da Lava Jato ou pessoas ligadas a eles, como Fernando Collor (PTC-AL), Edison Lobão Filho (PMDB-MA), Gleisi Hoffman (PT-PR) e até o ex-senador José Sarney (PMDB-AP). Para fazer as varreduras, os servidores do Legislativo usavam as maletas antigrampo que emitiam ondas sonoras para detectar pontos e escutas, como as que ficam escondidas em aparelhos telefônicos, tomadas e mesas.

Os processos da Operação Métis estão no STF desde setembro de 2016. Em agosto do ano passado, o relator, ministro Edson Fachin, liberou o caso para julgamento em plenário. Mas até hoje a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, não o colocou para a análise dos demais ministros.

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