PMDB de Santa Catarina sob ameaça de intervenção

Fábio Góis

O PMDB de Santa Catarina corre o risco de sofrer intervenção nacional. A executiva nacional do PMDB enviou nesta quinta-feira (17) um comunicado aos catarinenses informando que o processo foi retomado pela cúpula do partido em Brasília. A partir de hoje, o presidente regional do partido, Eduardo Pinho Moreira, tem oito dias para responder aos questionamentos feitos pelos peemedebistas. O prazo termina um dia antes da convenção estadual, marcada para 25 de junho. Moreira prometeu entregar os esclarecimentos na próxima terça-feira (22).

Em nota à imprensa divulgada hoje, a cúpula do partido argumento que a estagnação do "quadro político local” ao anunciar a medida. Na segunda-feira (14), Pinho Moreira anunciou a desistência de concorrer ao governo de Santa Catarina e o apoio ao senador Raimundo Colombo, que vai disputar o cargo pelo DEM. "O compromisso assumido pela Direção Nacional e pelo presidente do Diretório Estadual de Santa Catarina gerou atitudes do PT, em estados onde havia empecilhos à coligação. Atitudes essas que criaram as condições para que a aliança nacional com o PMDB fosse realizada”, diz trecho da nota.


Na convenção partidária que confirmou o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), como vice na chapa do PT na corrida à Presidência da República, Pinho Moreira conversou com a candidata petista à presidência da República, Dilma Rousseff. Também teve uma reunião com Temer. Na defesa de sua decisão, o peemedebista diz que nunca teve compromisso com Dilma ou Temer, e que jamais cogitou a possibilidade de ser vice na chapa da senadora Ideli Salvatti (PT-SC). O dirigente peemedebista reclama liberdade para que o diretório regional firme alianças à livre escolha.


PMDB e DEM, com o reforço oposicionista do PSDB, têm uma coligação de oito anos consecutivos em Santa Catarina. Foi por meio da tríplice aliança que Luiz Henrique da Silveira foi eleito duas vezes ao governo estadual. Em abril, Luiz Henrique renunciou ao cargo para disputar o Senado, no que o substituiu o vice Leonel Pavan (PSDB).


Confira a nota da executiva nacional do PMDB:

“Nota à imprensa – Intervenção em Santa Catarina 

A Comissão Executiva Nacional do PMDB retoma o processo de intervenção no Diretório de Santa Catarina iniciado na última terça-feira, 15 de junho. A reunião foi suspensa a pedido de deputados federais daquele estado, que solicitaram prazo de dois dias para tentar alteração do posicionamento do PMDB catarinense nas eleições deste ano. Não houve, entretanto, qualquer evolução do quadro político local.

É necessário frisar que a situação de Santa Catarina é, por completo, diferente de outros diretórios, como Mato Grosso do Sul, Pernambuco e São Paulo.

Isto porque após várias articulações com a Direção Nacional do PMDB, o então pré-candidato ao governo Eduardo Pinho Moreira insistiu em se reunir com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e a candidata do PT, Dilma Roussef, com quem assumiu compromisso eleitoral de apoio em Santa Catarina. Logo após, o candidato fez declarações públicas do acordo firmado.

O compromisso assumido pela Direção Nacional e pelo presidente do Diretório Estadual de Santa Catarina gerou atitudes do PT, em Estados onde havia empecilhos à coligação. Atitudes essas que criaram as condições para que a aliança nacional com o PMDB fosse realizada.

Diante de fatos de tal envergadura e de tanto comprometimento, a Executiva Nacional se vê obrigada a assegurar que, no processo político, palavras e compromissos assumidos sejam cumpridos integralmente.

Assessoria de imprensa do PMDB”

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