PF prende assessor de ministério acusado de operar propinas para Henrique Eduardo Alves

Funaro diz que entregava dinheiro para Henrique Eduardo Alves por meio de assessor do Ministério do Turismo

O assessor do Ministério do Turismo Norton Masera foi preso pela Polícia Federal na Operação “Lavat”, de acordo com fontes ouvidas pelo Congresso em Foco, que investiga o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB), preso desde junho. Ele é acusado pelo doleiro Lúcio Funaro de ser operador de propinas do peemedebista. Nesta quinta-feira (25), a PF fez buscas na sala de Masera no Ministério do Turismo, que disse que irá exonerá-lo do  cargo.

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Os policiais ainda fizeram buscas na Inter TV, de propriedade do peemedebista, na sala de Herman Ledebour, outro assessor de Alves. Fontes ouvidas pelo site confirmaram as prisões temporárias de Aluísio Dutra de Almeida e José Geraldo Júnior. As ordens de prisão foram dadas pelo juiz da 14ª Vara Federal, Francisco Eduardo Guimarães.

O doleiro Lúcio Funaro apontou Masera como operador de propinas de Henrique Eduardo Alves em sua delação premiada na Operação Lava Jato. “Sabe que HENRIQUE EDUARDO ALVES recebia parte dos valores da comissão pois pessoas enviadas por ele retiraram dinheiro no escritório do DEPOENTE — um assessor parlamentar dele chamad WELLINGTON ou NORTON”, disse o delator em depoimento de 23 de agosto.

De acordo com Funaro, as propinas eram entregues a Alves de “cinco formas”.

Uma delas era deixar o dinheiro “para funcionários dele, no caso, Norton ou Wellington”. As outras maneiras usadas pelo doleiro eram entregas nas mãos do próprio ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Câmara, na frente do hotel Tivoli Mofarreji, em São Paulo; com o empréstimo de voos de São Paulo para Natal, com funcionários de Alves a bordo; com o próprio doleiro a bordo das aeronaves; ou com o pagamento de despesas de campanha de Alves com aviões.

Reportagem da revista Istoé mostra que o assessor Norton Masera ganha apenas R$ 5.400 líquidos por mês, mas exibe uma vida de luxo em Brasília. O Ministério do Turismo afirmou, em nota, que não é alvo da operação, mas que colabora  com a Polícia Federal.

Cinco milhões

A operação batizada de “Lavat”, cujo objetivo é combater crimes durante as eleições para o governo do Rio Grande do Norte em 2041, é continuidade da “Manus”, que investigou e prendeu o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves (PMDB). Ele foi e ex-candidato a governador do estado em 2014. Henrique foi presidente da Câmara e, durante 44 anos, foi deputado federal.

Segundo a PF, a “organização criminosa” investigada “continuou praticando crimes de lavagem de dinheiro”. Acontinuidade dos crimes se comprovou na análise do material apreendido na Operação “Manus”. “Foram identificadas fortes evidências quanto à atuação de outras pessoas pertencentes a organização criminosa, que continuou praticando crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de valores para o chefe do grupo”, afirma a corporação, em nota.

Os investigadores ainda encontraram “esquema criminoso que fraudava licitações em diversos municípios do Estado visando obter contratos públicos”. Os contratos somam R4 5,5 milhões aproximadamente. O esquema tinha era usado “para alimentar a campanha ao governo do Estado de 2014”, de acordo com a polícia.

O nome da operação se refere a um provérbio latino. “Manus manum fricat, et manus manus lavat” significa “Uma mão esfrega a outra, uma mão lava a outra”.

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