Petista pede vista e votação de parecer contra André Vargas é adiada

Pedido de petista impediu votação de relatório favorável à continuidade de processo contra André Vargas, suspeito de envolvimento com doleiro preso em negócios ilícitos

O deputado Zé Geraldo (PT-PA) pediu vista (mais tempo para análise) nesta terça-feira (22) do processo que tramita no conselho de ética e decoro parlamentar da Câmara contra o deputado licenciado André Vargas (PT-PR). Com o pedido, o conselho adiou a votação do parecer preliminar formulado pelo deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que pede a continuidade do processo.

 

O pedido de vista também foi assinado pelo deputado José Carlos Araújo (PSD-PA). Hoje, o relator do processo contra Vargas, deputado Júlio Delgado, apresentou, conforme havia anunciado, parecer favorável para que o conselho investigue as relações do petista paranaense com o doleiro preso Alberto Youssef.

O relatório preliminar é o primeiro passo para que o conselho inicie as investigações para decidir se houve ou não quebra de decoro parlamentar por parte de Vargas. No entanto, o colegiado precisa primeiramente aprovar o parecer dado por Delgado.

Por conta do pedido de vista, a votação deverá acontecer no próximo dia 29. Se o parecer formulado por Delgado for aprovado, Vargas vai ter dez dias para apresentar a sua defesa e indicar até cinco testemunhas a seu favor.

"Quero deixar claro que isso não é uma posição do meu partido. É uma decisão minha. Ele [Vargas] está querendo esse tempo e esse tempo está sendo dado a ele", disse Zé Geraldo, sobre o pedido de vista. Vargas é suspeito de ter usado um jatinho de Youssef para viajar de férias com a família, além de tráfico de influência no Ministério da Saúde ao negociar a contratação de um laboratório.

Para Delgado, os indícios são suficientes para iniciar as investigações. "O representado [Vargas] é detentor de mandato de deputado federal; há reportagens que relacionam a ele os fatos narrados e, ao menos em tese, o fornecimento de informações privilegiadas e a intermediação de interesses de terceiro junto ao ministério, aliada a recebimento de vantagens, pode constituir ato incompatível com o decoro parlamentar", disse.

Youssef foi preso na primeira fase da Operação Lava Jato, deflagrada em março último pela Polícia Federal para desbaratar esquema de lavagem de dinheiro que pode ter desviado mais de R$ 10 bilhões.

Na semana passada, Vargas chegou a anunciar que renunciaria ao mandato, mas recuou sob o argumento de que, mesmo com a renúncia, o procedimento disciplinar aberto contra ele no conselho de ética prosseguiria. Renunciou apenas ao posto de primeiro-vice-presidente da Câmara.

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