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Manifesto pró-renúncia de Renan chega ao Senado

Ativistas vão levar mais de 1,6 milhão de assinaturas pedindo a renúncia do presidente do Senado. Depois, pedirão ao STF rapidez no julgamento da denúncia dos bois de Alagoas

Ativistas vão entregar amanhã (20) a petição virtual com mais de 1,6 milhão de assinaturas contra a permanência de Renan Calheiros (PMDB-AL) na Presidência do Senado. A ideia é entregar o abaixo-assinado a uma comissão de senadores que se dispuser a receber o grupo. Os coordenadores do movimento afirmam que o objetivo da mobilização é fazer pressão política e social para forçar a saída de Renan do comando do Senado e do Congresso por causa do seu histórico de denúncias. “Não faz sentido um senador presidir o Congresso já sob suspeita de ter cometido crimes graves”, afirma o engenheiro Marcelo Medeiros, um dos organizadores da manifestação.

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Como revelou o Congresso em Foco, Renan foi denunciado às vésperas de ser eleito presidente do Senado pelo procurador-geral da República por uso de notas frias para justificar a venda de bois em Alagoas. O senador é acusado de desvio de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documento falso. Renan ainda responde a dois inquéritos no Supremo, um por crime ambiental e outro por tráfico de influência.

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A manifestação começa pela manhã. No gramado do Congresso, serão espetadas 55 vassouras de cabeça para baixo com um balde, representando os parlamentares que votaram a favor de Renan nas eleições da Mesa de 1º de fevereiro. A entrega das assinaturas será feita às 13h. Pedro Abramovay, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e diretor de campanhas do Avaaz, site responsável pela coleta das assinaturas, conta que as pessoas que apoiaram o abaixo-assinado estão sendo convidadas a mandar mensagens de correio eletrônico aos senadores, pedindo que eles recebam os ativistas. Outro pedido é que mandem mensagem para o gabinete do ministro Ricardo Lewandowski, pedindo que acelere a análise da denúncia contra Renan sobre os bois de Alagoas.

Às 16h, será protocolado no gabinete do presidente do STF, Joaquim Barbosa, um pedido de celeridade no julgamento da denúncia.

Um dos ativistas que vai participar do evento é o representante comercial Emiliano Magalhães Neto, 26 anos. Vendedor de confecções em Ribeirão Preto, ele afirmou ao site que, caso encontre Renan no Congresso, gostaria de dizer ao senador que ele deveria ter “vergonha” de ocupar um cargo tão importante em meio a tantas suspeitas.

Cinismo

Para os ativistas, Renan não tem condições de presidir o Congresso. “Não é possível que o PMDB, com 23 senadores, não tenha um com menos telhado de vidro e menos cinismo”, provoca Medeiros. O engenheiro, de 64 anos, critica a nota do senador que considerou que a quantidade de assinaturas não era importante. “Ele disse que era coisa de jovens, mas não têm só jovens”, disse Medeiros ao site.

Para Abramovay, é necessário construir um clima de pressão popular sobre o Senado para a derrubada de Renan. “Em maio de 2007, qualquer analista político dizia que não havia chances de ele cair. Em novembro, era óbvio. Temos que fazer novembro chegar”, afirmou ele, que foi secretário nacional de Justiça no governo Lula.

Voto secreto

O grupo articula uma ação direta de inconstitucionalidade contra o voto secreto na Câmara e no Senado. Na semana passada, os ativistas conversaram com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Coelho, que vai levar a proposta ao conselho da Ordem. Abramovay diz que a eleição de Renan dá mostras de que as normas internas do Legislativo precisam ser modificadas.

“Só 35 senadores disseram que votaram nele. A maioria dos senadores ou não votou ou têm vergonha de dizer isso”, comentou. Abramovay lembrou ainda que 24 senadores afirmaram terem votado no concorrente de Renan, Pedro Taques (PDT-MT), apesar de ele ter recebido só 18 votos. “Usando o voto secreto, há senadores mentindo para seus eleitores.”

Da internet para a rua

Medeiros defende que as mobilizações pela internet são o primeiro passo para captar a voz da sociedade em temas políticos e, depois, ganhar as ruas das cidades. No dia 23, haverá mobilizações nas ruas contra a eleição de Renan, uma delas no Rio de Janeiro. “Isso dá força para o movimento. A gente está nas redes sociais e está fazendo uma balbúrdia.”

Já Abramovay não dá tanta importância a manifestações à moda antiga. “Acho mais forte 1,6 milhão de assinaturas pela internet do que 10 mil pessoas na frente do Senado”, afirmou ele.

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