Petecão discute com petista e pede proteção ao Senado

Senador ataca governador do Acre e diz que foi perseguido por “carros suspeitos” em municípios do estado

O senador Sérgio Petecão (PMN-AC) subiu hoje (terça, 20) à tribuna do plenário para denunciar o governador do Acre, Tião Viana (PT), e o grupo político que o representa na Assembleia Legislativa estado. Seria mais uma acusação de caráter regional, entre as várias já registradas no palco das votações, se entre os senadores não estivesse o irmão do governador, o também petista Jorge Viana (AC), antecessor de Tião no cargo. Sérgio elencou entre as acusações o suposto controle da imprensa acreana por parte da gestão petista e uma perseguição de carros suspeitos que teria sofrido, neste final de semana, em viagens pelo interior do estado.

Segundo Petecão, Tião utiliza os meios de comunicação e sua própria página na internet “para tentar desmoralizar aqueles que ousam falar das mazelas que atingem a sofrida” do Acre. “Isso é ruim, isso é péssimo. Ao invés de dar bom exemplo e administrar o Acre com imparcialidade, o governador tem se valido da mídia oficial e incentivado seus aliados, alguns pagos com salários altos do estado, para sacar inverdades e tentar macular a honra das pessoas. Como se não bastasse, procura intimidar seus adversários políticos, os quais ele os vê como se fossem seus inimigos pessoais”, disse Petecão, acusando ainda o líder do governo na Aleac, deputado Moisés Diniz (PCdoB), de sugerir a prisão “de toda e qualquer pessoa que fosse pega lendo ou distribuindo reportagem publicada pela revista IstoÉ”.

Na reportagem mencionada, disse Petecão, o senador Jorge Viana figura como um dos alvos de denúncia sobre a “relação promíscua” de ex-governadores acreanos com empreiteiras responsáveis por obras na BR-364, que teria consumido gastos de R$ 2 bilhões nos últimos 12 anos sem ter sido concluída. Segundo o senador acreano, toda a edição da revista com a reportagem “desapareceu misteriosamente” das bancas acreanas – mas, insistiu Petecão, cópias da matéria foram distribuídas para os cidadãos do estado, o que teria deixado Tião “desesperado e descontrolado”.

“A reportagem da revista IstoÉ não chegou ao conhecimento da população. E o que fez o Governador? Partiu para a baixaria e elegeu a mim como principal alvo de seu ódio. Teve a capacidade de utilizar a sua página pessoal no Facebook para atribuir a mim palavras de baixo calão: chamou-me de ‘covarde’ e de ‘desonesto’, além de insinuar uma possível autoria do material”, emendou Petecão, agora dirigindo-se ao governador. “Covarde é quem contrata jornalistas e blogueiros para espalhar boatos acerca da honra das pessoas. Desonesto é quem age para impedir que o povo do meu estado saiba da verdade.”

Diante das acusações, Jorge Viana pediu aparte. Petecão atendeu ao pedido, para que o colega petista soubesse “como é que funciona a democracia”, em contraposição ao fato de que “99,9% da mídia” estariam sob a tutela da família Viana. “Com relação às agressões que me estão sendo feitas estou recorrendo à Justiça. Agora, confundir reportagem, alterar reportagem, isso é crime, foi isso que foi feito no Acre. Não é a repercussão de uma reportagem. A reportagem está aí, está na Internet para todo mundo ver”, defendeu-se o irmão de Tião, lamentando o pronunciamento de Petecão e acusando um grupo de políticos do Acre que “enganam muita gente”.

“Aqui, vossa excelência está vendo, quase o senhor não é ouvido. Sabe por quê? Porque aqui nesta Casa o nome Tião Viana construiu uma respeitabilidade em que, lamentavelmente, as acusações que vossa excelência faz não têm eco”, acrescentou Jorge Viana, para quem a reportagem da IstoÉ foi adulterada. Depois do aparte, o petista ainda recorreu ao artigo 14 do regimento interno, que assegura direito de resposta para quem é citado em plenário, para continuar rebatendo as palavras de Petecão.

Por fim, o senador do PMN ainda solicitou à Mesa Diretora “proteção e garantia de vida” para si e sua família, diante do “clima tenso” instalado no Acre. A iniciativa, disse Petecão, poderia evitar que ele tivesse o mesmo fim do ex-governador do Acre Edmundo Pinto, assassinado em 1992 num quarto de hotel em São Paulo, em pleno exercício do mandato.

“Gostaria que ficasse registrado nos anais desta Casa que, de hoje em diante, o que acontecer comigo e com a minha família é de inteira responsabilidade das pessoas que hoje estão à frente do governo do meu estado”, registrou Petecão, depois de mais uma menção à perseguição de “carros suspeitos” por municípios acreanos.

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